- Nº 2745 (2026/07/9)

Na Festa do Avante! a Ciência é sempre uma descoberta

Festa do Avante!

Do Espaço Ciência até podemos saber o que esperar, mas somos sempre surpreendidos: ali há experiências, actividades, exposições, debates, conversas e um mundo inteiro para apre(e)der.

No local habitual, junto ao lago e ao Auditório 1.º de Maio, o Espaço Ciência irá receber os visitantes da 50.ª edição da Festa do Avante proporcionando o fascinante mundo do conhecimento científico, que aqui se abre a todos – novos ou nem tanto, especialistas ou simplesmente curiosos. A observação, experimentação e aplicação às necessidades sociais mantêm-se como eixos estruturantes desta edição, onde algumas áreas científicas estarão de regresso e outras marcarão presença pela primeira vez (ver caixa).

Nas ciências naturais, destacam-se as velhas conhecidas Biologia, Geologia e Química, ao passo que a Física e a Astronomia estarão bem representadas pelo Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico (NFIST): a Cama de Pregos e a Manta da Relatividade serão algumas das experiências presentes. Já com a ASTRO será possível fazer observações solares e nocturnas com telescópios e ver a maquete do Sistema Solar, o computador com astro fotos, entre outros equipamentos.

As ciências sociais, como sempre, voltarão a marcar presença, com a História, a Antropologia, a Sociologia, a Psicologia, o Direito, a Economia e a Política. Abordados em conversas e debates serão temas como os processos migratórios (do ponto de vista histórico e sociológico) e a participação das comunidades através do associativismo. A Geografia abordará questões tão relevantes e actuais como o ordenamento do território, a erosão costeira, as intempéries e os fenómenos climáticos.

Lá estarão também as ciências tecnológicas, como a Robótica – através da participação do Centro de Competência TIC da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal; e, pela primeira vez, a Impressão 3D – com o Agrupamento de Escolas Francisco Simões. Em ambos os casos haverá demonstrações e experiências abertas aos visitantes da Festa.

Artes, letras e conversas

Como vem sendo hábito neste espaço, a relação da Ciência com as Artes e as Letras volta a ser sublinhada, este ano com José Saramago, António Gedeão, a “irreverência de Einstein” ou um conjunto de curiosidades que se cruzam connosco todos os dias e que nem sempre sabemos explicar. Nesta área, haverá lugar para as crianças e adolescentes experimentarem construir símbolos da Paz com a técnica origami e “levar essa Paz aos vários cantos do planeta”.

Em várias conversas e debates, o visitante da Festa poderá ouvir e questionar personalidades como Galopim de Carvalho e Máximo Ferreira, que nos trarão publicações científicas actuais, que servirão de mote para “conversas à volta dos livros.

 

Metrologia: já tinhas ouvido falar?

Pela primeira vez no Espaço Ciência falar-se-á da Metrologia. Não confundir com Meteorologia, que todos bem conhecemos, para mais em épocas de calor (ou de frio, ou de chuva…), mas de Metrologia. Nunca ouviram falar? Pois bem, a Metrologia é a ciência que estuda as medições e os seus processos, fundamental para garantir a exactidão, padronização e a confiabilidade de qualquer medida. Pode ser científica – criando, definindo e conservando unidades de medida segundo padrões internacionais; industrial – focada no controlo de qualidade e na calibração de instrumentos; e legal – garantindo no dia-a-dia o respeito pelas medidas padronizadas.

Uma exposição explanará a relação da Metrologia com outras ciências e áreas (da economia ao ambiente, da saúde à biologia ou geologia), ao mesmo tempo que também “calibrará” as responsabilidades públicas e a soberania dos Estados.

 

As questões centrais do nosso tempo

Nesta edição do Espaço Ciência, em vários painéis expositivos, debates e conversas, será dado destaque a questões centrais do nosso tempo, entre elas a necessária defesa da paz, os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, a luta dos trabalhadores científicos e os 125 anos do nascimento de Bento de Jesus Caraça, que serão relacionados com a “Biblioteca Cosmos”, por ele fundada.

Matemático, militante comunista e membro activo do MUNAF e do MUD, Bento de Jesus Caraça fundou em 1941 a “Biblioteca Cosmos”, de que foi o único director até 1948. Com 145 números editados, correspondendo a 114 títulos, alcançando uma tiragem global superior a 790 mil exemplares, a “Biblioteca Cosmos” representou a mais importante iniciativa de divulgação da ciência e da cultura em Portugal.

Bento de Jesus Caraça escreveu ainda “A Cultura Integral do Indivíduo – problema central do nosso tempo”, onde explana uma concepção de cultura radicalmente democrática e alheia a todo o elitismo. Ser culto, afirmava, é ter consciência da sua posição no cosmos e, em particular, na sociedade a que pertence; é ter consciência da sua personalidade e da dignidade inerente à existência como ser humano; é fazer do aperfeiçoamento do seu ser interior preocupação máxima e fim último da vida.

Preso pela PIDE e expulso do ensino pelo fascismo em 1946, Bento de Jesus Caraça faleceu dois anos depois, deixando um importante legado teórico e prático, que mantém toda a actualidade.