- Nº 2743 (2026/06/25)O Parque do Areal, em Angeja, Albergaria-a-Velha, encheu-se, no dia 21, de uma contagiante energia durante o convívio regional de Aveiro. A alegria ali vivida tem motivo, explicou Paulo Raimundo: «aqui está festa da luta, aqui está a festa da vitória contra o pacote laboral».
«Podemos dizer que estamos a fazer hoje, aqui, uma grande festa e temos razões acrescidas para a fazer», sublinhou o Secretário-Geral do PCP ao iniciar a sua intervenção. «Aqui está a festa do trabalho, da resistência», salientou, considerando em simultâneo a derrota do pacote laboral uma «enorme vitória dos trabalhadores, da sua resistência e da sua unidade».
«É uma grande vitória da CGTP-IN, do movimento sindical unitário, de todos os sindicatos e estruturas que se associaram a este combate», mas é também uma «grande vitória de todos nós». «Uma vitória do PCP, do Partido que nunca vacilou, do Partido que nunca se deixou desviar daquilo que é fundamental, do Partido que nunca escorregou em cascas de banana, do Partido que obrigou que o pacote laboral fosse o centro da discussão do debate político no nosso País», afirmou. «O Partido», continuou, que «disse sempre que a unidade dos trabalhadores e a sua força, em todos os momentos e até nos momentos mais difíceis, é bem maior do que qualquer unidade institucional na Assembleia da República». «Foi essa força, essa determinação e resistência que derrotou o pacote laboral», acrescentou ainda (ver mais sobre o pacote laboral nas páginas 4, 5, 6 e 7).
Governo e reacção derrotados
Do embate em torno do pacote laboral, explicou o dirigente comunista, saíram derrotados o Governo, as «retrógradas» confederações patronais, o PSD, CDS, mas também a Iniciativa Liberal e o Chega, «partido da farsa, da demagogia, das cambalhotas, o partido que votou contra o pacote laboral, mas que esteve contra, na prática, a sua própria opção de voto».
Como sempre realçou o PCP, ao longo dos 330 dias de intenso combate que se viveram entre a apresentação das alterações à lei laboral e a sua derrota, foi notória a «firmeza gelatinosa» do Chega. «Desta vez, a sua operação, mentira e hipocrisia, ficarem bem expostas neste processo», realçou. «O Chega diz que não se vende e aí temos de lhe dar razão. Não se vende, dá-se, dá-se todo ao patronato, à manobra e à mentira para todos os trabalhadores», acusou.
Hora de avançar
Derrotado que está o pacote laboral, é hora de avançar com o que é urgente e necessário e «se há quem sabe, por experiência própria, pela vida que leva, que as coisas tal como estão não podem continuar, não é o grande patronato nem o Governo, são mesmo os trabalhadores». Exige-se, garantiu Paulo Raimundo, uma mudança e ruptura para aumentar salários e pensões, para pôr fim à precariedade, para valorizar carreiras, salvar o SNS e garantir o acesso à habitação.
Pressa em concretizar País “maior”
O Secretário-Geral acusou ainda o Governo de praticar uma «política desgraçada e apressada». Desgraçada por teimar em infernizar a vida de quem trabalha ou trabalhou e vive no País. «Demasiado apressada até» porque parece que os grupos económicos e os seus representantes partidários «começam a sentir falta de tempo para implementar o seu assalto aos recursos do País».
Paulo Raimundo recordou, ironizando-as, as palavras do primeiro-ministro e presidente do PSD no congresso do seu partido que se realizou nesse mesmo fim-de-semana: um «Portugal Maior». «Quanto maior for o Portugal deste Governo e desta política, menor é o SNS, menor é a educação e a cultura. Menores são as pensões e os salários», advertiu.
«Tempos exigentes, mas empolgantes»
José Pinho, membro da Comissão Política da JCP, que interveio antes do Secretário-Geral, deu conta da intensa actividade levada a cabo pelos jovens comunistas ao longo dos últimos meses naqueles distrito. Contacto e esclarecimento junto da juventude, de reforço e desenvolvimento da luta, processo que teve o seu «exemplo máximo» no Encontro Regional da JCP realizado recentemente.
«Cabe-nos utilizar na nossa intervenção imediata a vitória contra o pacote laboral como exemplo concreto do poder da luta organizada, associando-a a outros momentos de luta e a encorajar lutas futuras», salientou ainda o jovem, que apontou como prioridade, para o futuro próximo, o trabalho de divulgação e construção da Festa do Avante!.
Libânia Pires, da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP, ao dirigir o comício que encerrou o convívio, defendeu um município mais próximo das pessoas e anunciou o lanche-convívio marcado para dia 4 de Julho, pelas 18h00 nas novas instalações do Centro de Trabalho de Aveiro, um espaço que é de «todos» e que se tornará melhor com o «contributo de cada um».
O momento político foi antecedido por um almoço e um momento musical no agradável parque banhado pelo rio Vouga. Entre as reconhecidas cantigas de intervenção com que brindou os militantes e amigos, Miguel Araújo, dedicou o Hino de Caxias aos que lutaram no passado e aos que lutam hoje.
Participou também na iniciativa Octávio Augusto, membro da Comissão Política do Comité Central.