- Nº 2743 (2026/06/25)Primeira iniciativa pública do PCP após a derrota do pacote laboral, a 11.ª Assembleia da Organização Regional da Guarda do PCP (AORG), reunida no sábado em Gouveia, apontou medidas para reforçar a organização partidária e a luta dos trabalhadores e das populações, a caminho de novas vitórias.
A extraordinária vitória alcançada na véspera dominou as conversas entre os comunistas do distrito da Guarda, que tanto se empenharam – como os seus camaradas do resto do País – para que ela tenha sido possível. E foi com rostos alegres e confiança que em muitas das intervenções proferidas na Assembleia se acrescentou algo sobre esta vitória, valorizando-a e testemunhando aquilo que o PCP vem dizendo, por mais que outros procurem esconder ou mistificar: foi a luta dos trabalhadores que derrotou o pacote laboral.
Como afirmou o Secretário-Geral do PCP na intervenção de encerramento da Assembleia, esta é também a vitória «deste partido, que em nenhum momento vacilou ou abdicou de ir ao foco central da questão: este pacote laboral não podia passar por tudo o que isso implicava na vida dos trabalhadores». No novo ciclo de luta que agora se abre, é fundamental continuar a alargar e a reforçar o Partido, a ligá-lo cada vez mais à realidade das empresas, dos locais de trabalho, dos bairros, das aldeias.
A intervenção de Paulo Raimundo teve lugar pouco depois de ter sido aprovada por unanimidade a Resolução Política da 11.ª AORG, que traça as orientações políticas e os objectivos orgânicos para os próximos anos: nela inscreve-se, entre outros objectivos, a necessidade de criar novas células em empresas e de regularizar o funcionamento das existentes na Unidade Local de Saúde da Guarda e no Parque do Côa; recrutar 10 novos militantes, devendo corresponder a cada um deles a «integração num organismo e uma tarefa»; definir um plano de responsabilização e formação de quadros, «procurando atingir os 10 camaradas em cada ano, no mínimo»; procurar criar organização em freguesias ou conjuntos de freguesias e organismos de reformados onde for possível; garantir espaços de discussão para todos os militantes; ampliar a intervenção do Partido sobre problemas existentes em cada local ou empresa; alargar a difusão da imprensa partidária.
A ser preparada desde Maio, a 11.ª AORG integrou já na sua discussão e realização o conteúdo da resolução do Comité Central “Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”.
Partido, intervenção e luta
A assembleia teve como sugestivo lema “Mais Partido. Mais intervenção. Mais luta”, e foi disso mesmo que ali se tratou durante toda a tarde. O mote foi dado, na abertura, pela responsável por aquela organização regional, e membro do Comité Central, Cesaldina Robalo: «A organização do Partido é o instrumento fundamental para levarmos a cabo estas propostas políticas que aqui reafirmamos, que precisam ser acompanhadas de medidas de reforço da organização do Partido e de aprofundamento da sua ligação aos trabalhadores.»
Em muitas outras contribuições vieram exemplos concretos disto mesmo. Da sindicalista do Centro de Contacto de Seia, cuja consciência de classe a levou a aceitar o convite que lhe foi dirigido para aderir ao Partido (e que entretanto foi já eleita para a Direcção da Organização Regional da Guarda do PCP). Do papel determinante da célula do PCP no Parque do Côa, tanto para informar e mobilizar os trabalhadores como para questionar o Governo acerca do que se impõe ali fazer para melhorar o serviço e as condições de trabalho.
Falou-se da luta dos comunistas no concelho de Gouveia e Almeida em defesa do Serviço Nacional de Saúde – neste último dinamizando um abaixo-assinado exigindo a manutenção da Consulta Aberta, que em poucas semanas recolheu 600 assinaturas. Um militante de Vila Nova de Foz Côa lembrou que a linha da Beira Alta esteve encerrada 41 meses e, depois de aberta, «continua a não responder às necessidades da quem vive na Região»; já a linha da Beira Baixa, «depois da reabertura entre Covilhã e Guarda, com as intempéries de 28 de Janeiro, está novamente encerrada».
Do concelho de Guarda veio a valorização da intervenção do PCP em defesa da agricultura familiar, contra as portagens na A23 e A25, pela água pública ou junto dos trabalhadores da Sodecia, HM, Coficab, Dura, Hospital da Guarda, estaleiros da Câmara Municipal, mercado municipal e estação da CP, a construir as greves gerais. Numa intervenção específica sobre a luta dos trabalhadores, recordou-se os piquetes constituídos em vários locais de trabalho, «apesar das pressões, ameaças e tentativas de intimidação». E, claro, valorizou-se as adesões alcançadas: os 100 por cento nos transportes colectivos da cidade da Guarda e em vários serviços do Hospital Sousa Martins; os 90 por cento no Contact Center da EDP em Seia, com cerca de 500 trabalhadores; e o encerramento de mais de 50 escolas do distrito em ambas as greves.
Na 11.ª AORG estiveram, para além de Paulo Raimundo, Octávio Augusto, da Comissão Política; Alexandre Araújo, do Secretariado; e Eugénio Pisco, da Comissão Central de Controlo.
Reivindicações que são bandeiras
A situação do distrito da Guarda encontra-se caracterizada nos seus traços essenciais na Resolução Política aprovada na Assembleia. Na intervenção inicial, Cesaldina Robalo destacou o acentuado despovoamento verificado, com uma perda de 11 por cento da população em apenas 13 anos, referindo-se também à degradação dos serviços públicos e a redução – também ela acentuada – do aparelho produtivo.
No documento, o Partido enumera as potencialidades do distrito – na produção agrícola e pecuária; nas vias de comunicação; no património natural e cultural; nas possibilidades de revitalização industrial; na existência de associações e instituições com importante papel social – e, criticando a política de direita pela actual situação, aponta medidas para combater as assimetrias e desenvolver o Interior.
Para além da defesa da Regionalização, que foi o tema de uma moção aprovada por unanimidade pelos delegados, o PCP defende a reposição das freguesias, a revitalização e modernização do sector produtivo, a prioridade à agricultura, à indústria e aos serviços, a canalização para o Interior de investimentos públicos e privados ou o redireccionamento de fundos para o apoio ao desenvolvimento da produção de bens e serviços transaccionáveis para substituir importações.
Para o PCP, estas propostas não são apenas para apresentar ao Governo num qualquer caderno reivindicativo, mas também – e sobretudo – para lutar pela sua concretização, unindo e mobilizando trabalhadores e populações.