- Nº 2743 (2026/06/25)
Em Anadia, este fim-de-semana, no Congresso do PSD, a coberto do apoio dos seus fiéis, com entradas triunfais qual homem providencial, Luís Montenegro assegurou ao País que estamos no melhor dos mundos, que vamos no bom caminho, que está tudo bem assim e não podia ser de outra forma, lembrando-nos declarações de outros tempos no mesmo sentido e reafirmando a tese, que dias antes tinha tentado vender, de que o desempenho da nossa economia fazia corar de vergonha as suas congéneres europeias.
Os congressistas exultaram, aplaudiram de pé e regressaram às suas casas animados pelo atestado de bom comportamento que passaram a quase todo o Governo que se passeou pelo conclave laranja.
Entretanto, a vida (essa marota!) não se deixa aprisionar nas ilusões ou nas manobras dos dirigentes de turno dos Governos ao serviço do capital, e trata de desmentir tais atoardas.
Atente-se no seguinte relato. «As facturas a pagar ao final do mês continuam a subir e há cada vez mais famílias com a corda ao pescoço na hora de pagar as despesas correntes. O aumento do custo de vida aliado à crescente pressão com a habitação tem empurrado muitos portugueses para o endividamento, que vêem nos créditos pessoais e nos cartões de crédito a única via para colocar comida à mesa e assegurar um tecto para viver.» A notícia é do Diário de Notícias e dá conta, logo no dia seguinte ao encerramento da reunião magna do PSD, das dificuldades evidentes por que passam cada vez mais famílias.
De facto, indiferente aos estrondosos anúncios do Governo ou às comemorações com maior ou menor impacto mediático, a vida está mais difícil, as pessoas estão mais apertadas, os salários esgotam-se cada vez mais cedo antes do fim do mês e cada um é obrigado a procurar soluções para o presente, mesmo que isso implique hipotecar o futuro.
O presidente do PSD sabe disso, mas assobia para o lado e, fiel a quem serve, opta por anunciar mais prebendas para o capital, entre as quais a privatização da linha de Cascais, que até dá lucro à CP.
Não. Não está tudo bem assim e os trabalhadores e o povo saberão repeti-lo sempre que for preciso.