Conselho Europeu contra a paz e os povos

As conclusões do recente Conselho Europeu (CE), realizado a 18 e 19 de Junho, confirmaram uma vez mais orientações profundamente contrárias aos interesses dos trabalhadores e dos povos, denuncia o PCP.

Sobre direitos e condições de vida, saíram apenas declarações vagas

Num comunicado de anteontem, emitido pelo Gabinete de Imprensa do seu deputado no Parlamento Europeu, o Partido revela a natureza dessas orientações: «mais militarização, promoção da corrida armamentista, instigação da guerra, subordinação aos EUA e à NATO e persistência nas políticas que agravam as injustiças e as desigualdades, enfraquecem e atacam os serviços públicos, transferem recursos para os grupos económicos e condicionam a soberania de Estados».

Sobre a «degradação das condições de vida dos trabalhadores e dos povos, marcada pelo aumento do custo de vida, as dificuldades no acesso à habitação, a perda de poder de compra», realça o PCP, saíram apenas «declarações vagas e promessas sem conteúdo, sem qualquer compromisso político ou medida concreta». Já quanto à militarização e a guerra, as conclusões «são inequívocas»: o Conselho Europeu «congratula-se com o aumento das despesas militares, exige que se gaste mais e mais depressa, reclama o reforço da produção de armamento e condiciona a investigação, a inovação, a indústria e o financiamento público aos objectivos do militarismo, designado de “prontidão da defesa”». Fala de paz, mas os recursos, os instrumentos e as decisões continuam orientados para o «prolongamento da guerra na Europa».

Isto é particularmente visível, denuncia, nas conclusões relativas à guerra que se trava na Ucrânia, na sequência aliás da declaração do G7, na cimeira de Evian: faz referência à “paz” e à “necessidade de negociações”, mas as decisões que assume são orientadas para prolongar a guerra, obstaculizando uma solução política negociada, persistindo numa estratégia que prolonga o conflito, aumentando o sofrimento e alimentando o «sério risco de uma ainda maior confrontação com gravíssimas consequências».

Das palavras aos actos

Para o PCP, o próximo Quadro Financeiro Plurianual, que foi brevemente discutido nesta reunião, confirma esta «orientação profundamente errada». O Conselho Europeu, denuncia, «pretende acelerar a obtenção de um acordo relativamente aos orçamentos para 2028-2034, mas nada diz contra os cortes de verbas que atingem a agricultura, as pescas e a coesão, nem contra a redução financeira dos instrumentos destinados ao emprego, ao combate à pobreza e ao desenvolvimento regional». Ao mesmo tempo, contrapõe, «aumentam as verbas para o militarismo e a guerra».

O PCP salienta ainda que, sob o pretexto da «simplificação, da redução de encargos e do aprofundamento do Mercado Único, a chamada agenda para a “competitividade” pretende avançar com mais desregulação, maior concentração de empresas e de riqueza e novas transferências de recursos para os grupos económicos».

O Conselho Europeu, acusa ainda o PCP, «continua a não condenar a agressão militar dos EUA e Israel ao Irão, nem a ocupação e o bombardeamento do Líbano por Israel», do mesmo modo que as conclusões assumidas quanto à Palestina evidenciam novamente a «hipocrisia e a cumplicidade da União Europeia com a criminosa política de ocupação, colonização e de genocídio de Israel».

Tudo isto confirma, sublinha o Partido, uma União Europeia «cada vez mais orientada para a militarização, a guerra, e a defesa dos interesses dos grupos económicos, em detrimento da paz, da soberania dos povos, do desenvolvimento e da melhoria das condições de vida».

 



Mais artigos de: Internacional

Cuba enfrenta brutal agressão dos EUA

O Comité Central do Partido Comunista de Cuba (PCC) e a Assembleia Nacional de Poder Popular (ANPP) aprovaram as “Transformações Económicas e Sociais” propostas pelo Governo cubano para superar a brutal guerra económica movida pelo imperialismo norte-americano.

Conversações Irão-EUA decorrem na Suíça

Após a assinatura do “Memorando de Entendimento”, responsáveis do Irão e dos EUA mantiveram, no início desta semana, conversações na Suíça, mediadas por Paquistão e Qatar. Para lá de aspectos organizativos, as conversações foram marcadas pela exigência do Irão do cumprimento do estipulado relativamente ao fim da agressão de Israel ao Líbano.

Eleições presidenciais na Colômbia aguardam resultados definitivos

O candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda, anunciou a impugnação de 33 mil mesas em todo o país e aguarda a conclusão do escrutínio oficial, salientando que a pré-contagem dos votos não tem carácter oficial nem vinculativo. Ivan Cepeda deixou claro que o Pacto Histórico e as organizações da Aliança para a Vida, assim que a contagem oficial e as verificações correspondentes estiverem concluídas, respeitarão o resultado final.

Há 85 anos a Alemanha nazi agredia a URSS

Assinalou-se, dia 22, os 85 anos da agressão à União Soviética pelas hordas da Alemanha nazi e seus aliados fascistas. Pagando o preço de 27 milhões de mortos, a URSS, o povo soviético e o seu Exército Vermelho, sob a direcção do Partido Comunista, deram um contributo determinante para a Vitória sobre o nazi-fascismo, para a qual também contribuíram os aliados e o movimento de resistência antifascista em que os comunistas tiveram um papel fundamental.

Países do Sahel coordenam estratégias de comunicação

Os ministros dos Negócios Estrangeiros do Burkina Faso, do Mali e do Níger, membros da Confederação de Estados do Sahel (AES) acordaram no sábado, 20, em reforçar a sua coordenação diplomática para actuar com uma só voz na cena internacional. Numa reunião efectuada em Bamako, capital maliana, os ministros decidiram...

Kazan acolhe Cimeira Rússia-ASEAN

Realizou-se nos dias 17, 18 e 19, na cidade russa de Kazan, uma cimeira entre a Rússia e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), para comemorar os 35 anos de relações entre a Rússia e aquela associação regional. Ali foi realçado o papel que desempenha a ASEAN tanto na Ásia-Pacífico...