- Nº 2743 (2026/06/25)

Marcha do PCP valoriza vitória e aponta a novas conquistas

Em Foco

«Aqui está a marcha da vitória. Aqui está a festa do trabalho, da resistência e da luta. Dissemos que não íamos desistir, que o pacote era para cair. E o pacote caiu. Grande vitória dos trabalhadores!», proclamou Paulo Raimundo, no final da marcha.

O dirigente comunista sublinhou que esse resultado só foi possível alcançar com «todos e cada um dos trabalhadores, com a sua posição, firmeza e luta».

No entender do Secretário-Geral, a derrota do pacote «tem um significado político de enorme alcance», ao representar, simultaneamente, a derrota dos «projectos e agenda retrógrados e antidemocráticos» do Governo, a comprovação de que só a luta organizada alcança vitórias e a confiança na possibilidade de resistir e vencer «mesmo em condições desfavoráveis».

A vitória, clarificou, tem, igualmente, um outro significado: a derrota das teses, orientações e projectos da União Europeia e do grande capital por ela representado.

Antes da intervenção final, no Largo José Saramago, uma multidão percorreu as ruas da Baixa, desde a Praça da Figueira, dando desde logo a tónica da iniciativa. «Luta, caminho da vitória» – era este o lema da marcha, que levou milhares de trabalhadores, comunistas ou não, a acudir ao apelo do PCP.

«Com a luta dissemos “não” ao pacote do patrão» ou «Foi tão grande o empurrão que o pacote foi ao chão» foram algumas das palavras de ordem entoadas pelas vozes entrecortadas por sorrisos e aplausos. Mas, como a luta não é só alegria – também é reivindicação –, pôde-se igualmente ouvir cânticos a denunciar os «salários de miséria» e os «preços a subir», a afirmar que «a pensão tem de aumentar» e a exigir o direito ao trabalho, à saúde e ao pão, para «rejeitar a exploração».

Abre-se a possibilidade de um novo rumo para o País

Este processo significou, na opinião de Paulo Raimundo, uma vitória também no plano ideológico, pois abre caminho a uma ruptura com a recuperação monopolista, a submissão à UE e ao imperialismo e a agenda «retrógrada, neoliberal e anti-social».

O caminho que se impõe, frisou, é o «dos salários, das pensões, dos serviços públicos e da soberania» – a política alternativa, patriótica e de esquerda.

Só assim, garantiu, será possível pôr fim ao aumento do custo de vida, aos ataques a serviços públicos e à entrega de recursos aos privados e ao capital estrangeiro, impedir novas investidas como a prestação social única (ver págs. 16 e 17) e assegurar direitos como a habitação ou a educação.

«Queremos e precisamos de um país de direitos, dignidade, tempo para viver. Precisamos de uma vida melhor para os trabalhadores, para os imprescindíveis, os que criam a riqueza, os que põem o País a funcionar», frisou.

Esse caminho, esclareceu, só pode ser alcançado com o PCP, «partido imprescindível» para a derrota do pacote laboral e para dar um novo rumo ao País.

Os trabalhadores contam com o movimento sindical unitário

O dirigente comunista assegurou que o longo processo de luta, que durou exactos 330 dias, permitiu reafirmar a CGTP-IN como a «grande central sindical dos trabalhadores» em Portugal.

Foram a central e todas as estruturas do movimento sindical unitário que mobilizaram os trabalhadores para milhares de plenários, reuniões, acções de protesto e esclarecimento, conversas, encontros, distribuições de documentos, manifestações e, claro, as greves gerais de 11 de Dezembro e 3 de Junho.

«Desde 24 de Julho de 2025 que os trabalhadores não pararam um dia que fosse em resposta à declaração de guerra de que foram alvo», afirmou.

Luta isolou Governo PSD/CDS e obrigou Chega a votar contra

Paulo Raimundo assinalou que, sendo este «um dos processos mais intensos da luta dos trabalhadores» em Portugal, foi com ele que se conseguiu isolar o Governo PSD/CDS e as forças que, «desde a primeira hora, apoiaram abertamente este ataque» – IL e Chega.

Quanto a este, o Secretário-Geral destacou que a luta foi tão forte que o obrigou a ignorar o que realmente defende, em pleno alinhamento com o projecto do pacote laboral. Por fim, fez com que, «contradizendo o que tinha dito na véspera, não tivesse outra solução que não votar contra».

No rescaldo da rejeição, o Executivo avançou com a possibilidade de retomar propostas do pacote. «Bem podem tentar passar à peça o que não conseguiram em conjunto», disse Paulo Raimundo, avisando que continuará no caminho a luta dos trabalhadores.