- Nº 2743 (2026/06/25)

Florestas e agricultores seguem sem respostas

Assembleia da República

Num debate sectorial no dia 19, Alfredo Maia confrontou o ministro da Agricultura e do Mar com o estado da área que tutela, abordando aspectos como as intempéries e a situação dos agricultores.

Na senda das Jornadas Parlamentares do PCP, realizadas na semana passada nas áreas mais afectadas pelas intempéries, o deputado comunista dirigiu-se ao ministro para recordar o quadro «muito preocupante» em que se encontram as florestas.

O parlamentar assegurou que continuam acumulados «enormíssimos volumes» de biomassa, o que constitui um elevado risco para a deflagração de incêndios no Verão.

«É necessário mobilizar mais recursos e meios para concluir a desobstrução de estradas e caminhos e retirar o maior volume possível de material lenhoso o mais rapidamente possível», assinalou.

Medidas precisam-se

No entender do deputado, são necessárias «medidas excepcionais» tendentes à criação de parques de recepção de madeira e à intervenção junto da indústria para «receber, a preços justos, essa madeira».

Alfredo Maia garantiu, no entanto, que «ficou tudo parado», ainda não se tendo concretizado as medidas anunciadas pelo Executivo, como as linhas de crédito para que os proprietários removessem a madeira. «O Governo falhou claramente. Se falhou na prevenção, o que vai fazer a seguir no combate? O que está previsto em termos de reforços de meios para a áreas de maior risco? Quais são as medidas específicas para reforço da vigilância nas zonas mais críticas do País?», inquiriu.

Falta cultura?

O deputado criticou as recentes declarações do ministro da Administração Interna, que afirmou haver «falta de cultura de limpeza» nos espaços rurais. Para Alfredo Maia, a real insuficiência, que está na causa do problema, é a falta de dinheiro e de apoios para gerir a floresta, limpar quando é preciso e cortar quando se deve.

«Não falta cultura de limpeza, falta sim uma cultura de valorização dos preços ao produtor, com uma distribuição equitativa ao longo da fileira, num sector dominado pelos grupos económicos que controlam os sectores do papel, da cortiça e da madeira», acrescentou.

Ajudas tardam

Sobre a situação dos agricultores, o parlamentar sublinhou que as dificuldades «são imensas», frisando que, quase cinco meses após as intempéries, «as ajudas tardam a chegar e, quando chegam, ficam muito aquém do esperado».

O deputado comunista recordou as muitas queixas do sector, principalmente associadas à ausência de apoios recebidos, à lentidão na conclusão de processos e à falta de vistorias. Por isso, vincou a necessidade de contratar mais pessoal para lidar com estas candidaturas, afirmando estar o País diante do «estrangulamento da capacidade de decisão das CCDR».

Acumulam-se atrasos

Alfredo Maia comentou, igualmente, os atrasos na conclusão da obra hidrográfica no Baixo Mondego, que tem levado a problemas nos arrozais, «devido à intrusão de água salobra, que diminui a produtividade em uma tonelada e meia por hectare».

O deputado questionou, ainda, acerca das medidas a tomar para a execução do emparcelamento agrícola nos vales do Ega, Pranto, Arunca, Campos de São Facundo e Ançã. O Governo «continua a marcar passo, apesar de os proprietários terem dado já o seu acordo quanto à reestruturação das parcelas», referiu.