- Nº 2743 (2026/06/25)

LUTA, CAMINHO DA VITÓRIA – SALÁRIOS, PENSÕES, SERVIÇOS PÚBLICOS – NOVO RUMO PARA PORTUGAL

Editorial

O que marca a vida nacional desta semana é a grande vitória que os trabalhadores alcançaram com o chumbo do pacote laboral na passada sexta-feira. Uma vitória construída durante 11 meses de uma luta intensa e determinada, num processo que envolve a força, a unidade e a organização dos trabalhadores e a direcção da CGTP-IN.

É uma vitória de grande alcance social, político e ideológico, pelo que representa de derrota dos projectos e da agenda retrógrada e antidemocrática do Governo PSD/CDS e do grande capital; pelo que evidencia da força imensa que a luta organizada assume; pela confiança que amplia nas possibilidades de resistir e vencer, mesmo em condições desfavoráveis; pela prova que fez da justeza de manter a luta como elemento decisivo, não desistindo nem ficando à espera daquilo que só a luta dos trabalhadores podia decidir. Uma vitória igualmente com impacto internacional, pelo encorajamento que dá à luta da classe operária e dos trabalhadores noutros países, confrontados com pacotes semelhantes.

Uma luta em que, ao longo de mais de 330 dias, se ampliou o esclarecimento e a consciência sobre o ataque que representava o pacote laboral. Uma luta que isolou o Governo e os que, como o Chega e a IL, apoiaram abertamente e desde a primeira hora este ataque, forçando alguns a fazer o que nunca desejaram. Uma luta que esteve visivelmente presente nos últimos dois dias de discussão do pacote laboral na Assembleia da República, com os milhares de trabalhadores que estiveram à porta do parlamento durante todas as horas que o debate durou e nas galerias, até ao último segundo da votação, numa afirmação determinada de que a rejeição do pacote estaria em todas as fases do processo, mesmo que a proposta passasse.

É justa uma saudação aos trabalhadores, à CGTP-IN, às mais diversas estruturas sindicais e outras organizações dos trabalhadores, aos dirigentes e delegados sindicais, aos membros de ORT, que foram determinantes no sucesso desta luta.

É necessário salientar o papel do PCP e a intervenção dos comunistas nos mais diversos aspectos do processo desta luta.

A força e a unidade que derrotaram o pacote laboral são indispensáveis para enfrentar a situação que o País, os trabalhadores, os jovens, os mais idosos, o povo, vivem. Impõe-se o combate aos retrocessos, às injustiças, a exigência de progresso. Há necessidade de um caminho de avanço e o PCP assume com confiança essa luta por uma vida melhor, pelo aumento dos salários e pensões, pela defesa dos serviços públicos, a começar pelo Serviço Nacional de Saúde, por um outro rumo para Portugal. Essa é a exigência, o caminho e a luta para o momento que vivemos – e há forças para esse combate.

Também muito marcado pela derrota do pacote laboral, realizou-se no fim-de-semana o Congresso do PSD, farto em anúncios de medidas no sentido exactamente oposto ao que o País precisa, como a ameaça de voltar ao pacote laboral, o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde ou a privatização de linhas da CP – a começar pela de Cascais, onde querem impor o modelo da Fertagus. Há que dar a cada uma o combate que se impõe.

A realização da Marcha “Luta, caminho da Vitória – Salários, Pensões, Serviços Públicos – Novo Rumo para Portugal” na passada segunda-feira em Lisboa, e da que está prevista para dia 29 no Porto, tem grande importância para afirmar a força, a proposta do Partido e a sua capacidade de tomar a iniciativa. É uma palavra de ordem a levar aos trabalhadores e ao povo, nos locais de trabalho e de residência. As medidas de reforço do Partido, aplicadas a cada organização, bem como a preparação de todos os aspectos indispensáveis à realização da Festa do Avante!, de que a venda da EP é a mais decisiva, exigem ao colectivo partidário atenta planificação e concretização.