“Aqui se respira luta!”

Pedro Guerreiro

A luta em Portugal é parte integrante da luta dos povos do mundo

A grande luta contra o pacote laboral, com a realização de duas greves gerais (11 de Dezembro e 3 de Junho), de manifestações e jornadas de luta de âmbito nacional, de inúmeras acções e contactos com os trabalhadores e que continua com a concentração frente à Assembleia da República no dia 18 de Junho, assume, desde logo, uma enorme importância e significado para os trabalhadores em Portugal, mas também para a luta dos trabalhadores noutros países que integram a União Europeia e noutros países no mundo.

A cruel e criminosa investida neoliberal, que ataca os direitos, degrada as condições de vida e quer colocar em causa o futuro dos trabalhadores, das mulheres, dos jovens, das crianças, não é apenas protagonizada pelo Governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da IL, em conluio com o grande patronato em Portugal. Trata-se de uma investida de carácter antidemocrático que é prosseguida pela UE e pela generalidade dos governos dos países que a integram – sejam formados por forças da chamada “social-democracia”, dos ditos “liberais”, da direita ou da extrema-direita –, mas também por outros governos no mundo. Uma investida que tem como propósitos, entre outros, o agravamento da exploração dos trabalhadores, através do ataque aos seus direitos laborais e sindicais, e a transformação do direito à saúde, à educação, à segurança social, à habitação, assim como de sectores estratégicos – como em Portugal são os actuais casos da TAP e de linhas rentáveis da CP – em negócios, com a sua entrega à voracidade dos grupos económicos e financeiros, com as profundas e graves implicações que comportam para a vida de todos e de cada um de nós. Sinistros propósitos que visam tornar a vida dos trabalhadores num afã quotidiano para a sobrevivência, continuamente colocados sob a violenta chantagem do desemprego, do endividamento, da impossibilidade do acesso a direitos essenciais, banalizando e normalizando a injustiça e a desigualdade social, procurando dificultar, senão mesmo impedir, o seu legítimo e consequente questionamento, a luta por uma vida melhor e, antes de mais, o sonho, a aspiração, a luta, a construção de uma nova sociedade liberta da exploração, da opressão, das injustiças, das desigualdades, dos flagelos sociais, da guerra e do militarismo, impostos e intrínsecos ao capitalismo e ao imperialismo.

Tudo fazem para que nos esqueçamos ou que não saibamos que o mundo – e o nosso País – já foi melhor pela mão dos trabalhadores e das suas conquistas e avanços revolucionários. Querem interditar, denegrir e fazer duvidar da força que advém da organização, luta e unidade dos trabalhadores e das populações. Pretendem que nos percamos na azáfama da resposta à exigência do quotidiano e que não tenhamos o tempo para pensar, falar e mobilizar em prol de uma nova sociedade, em que o desenvolvimento das forças produtivas, o progresso científico e tecnológico e o aprofundamento da democracia económica, social, política e cultural, assegurarão aos trabalhadores e ao povo liberdade, igualdade, elevadas condições de vida, cultura, um ambiente ecologicamente equilibrado, respeito pelo ser humano, paz e cooperação. Assim, a grande luta contra o pacote laboral assume uma enorme importância e significado para os trabalhadores em Portugal, uma luta que, afinal, é parte integrante da luta comum dos trabalhadores e dos povos do mundo por uma vida melhor.

“Aqui estamos de pé!”

 



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