- Nº 2740 (2026/06/5)«Um PCP mais forte no distrito de Évora. É preciso! É possível» foi o lema da XI Assembleia da Organização Regional de Évora do PCP que se realizou, no dia 31, no Pavilhão Municipal Multiusos de Portel. Paulo Raimundo acompanhou os trabalhos, incentivando, na sua intervenção, o trabalho de reforço do Partido na região.
De Portel a Évora, de Estremoz a Vendas Novas, de Reguengos de Monsaraz a Arraiolos, de Viana do Alentejo ao Redondo e de Montemor-o-Novo a Mourão, de Mora a Vila Viçosa ou ao Alandroal, na XI Assembleia da Organização Regional de Évora (AOREV) esteve a vida de quem trabalha e vive naquele distrito alentejano. Das dificuldades de quem vê o seu salário não esticar até ao fim do mês, de quem se depara com cada vez menos serviços públicos ou de quem, trabalhando uma vida inteira, não encontra conforto e condições de vida dignas. Foram todos estes problemas e tantos outros que foram debatidos. Como assinalou o Secretário-Geral ao intervir no final dos trabalhos, a assembleia foi uma «expressão viva daquilo que é a realidade do distrito».
Aqui, afirmou, vieram factos que correspondem à «realidade, necessidades e interesses de quem aqui trabalha e vive», relativamente aos quais, acrescentou, daqui «saímos mais reforçados para continuar a defender».
«Valor e responsabilidade»
«Ninguém aqui veio enfiar a cabeça na areia ou esconder as dificuldades e problemas que temos. Pelo contrário», frisou. «Mas é justo dizer», continuou, que «só uma organização ligada à vida, ao concreto, às aspirações da juventude, trabalhadores, reformados e da população, com todos os problemas e dificuldades que têm, está em condições de aqui trazer este retrato».
«Isto», afirmou o dirigente, «dá-nos um grande valor e uma grande responsabilidade», pois numa Assembleia do PCP, «não se fica pela radiografia e pelo balanço». Antes pelo contrário, «tomam-se as medidas que se impõem em cada momento para avançar».
Tomar a iniciativa
«Tomar a iniciativa pela construção de uma vida melhor a que temos direito», salientou, é nesse sentido que os comunistas querem avançar. Fazer frente a uma política «anti-Abril» que, pela mão do Governo de turno do PSD e CDS – apoiados, em tudo aquilo que é central, pelo Chega e IL, com uma grande cumplicidade do PS –, coloca o País em confronto com a Constituição da República, que o verga perante interesses económicos, e que lhe assalta a soberania e o coloca de joelhos perante as imposições da União Europeia, procurando avançar com «mais e novos crimes económicos, como é o caso das privatizações».
«Ir para junto das massas»
«As conclusões desta assembleia são de facto muito importantes para os comunistas, mas as análises, os objectivos de luta, as propostas e o projecto que ela comporta interessam também aos trabalhadores, à juventude, população e a vários sectores deste distrito», afirmou na abertura dos trabalhos Patrícia Machado, da Comissão Política do Comité Central e responsável pela Organização Regional de Évora. «Interessam», acrescentou, a «todos os que não se conformam com um presente de injustiças e problemas e que, com coragem e esperança, desejam abrir perspectivas de justiça social, desenvolvimento, progresso, de paz e democracia para o nosso distrito, a nossa região e País». «É por isso que a grande tarefa que temos por diante é clara: ir para junto das massas», afirmou.
Discussão ligada à vida
A dirigente, que falou na abertura da AOREV, enunciou o que se viria a confirmar ao longo das dezenas de intervenções que preencheram o dia: onde precisam os comunistas de estar. Junto dos trabalhadores (da Mecachrom e da Aernnova, contra a tentativa de impor laboração contínua), junto dos utentes (como em Montemor-o-Novo para dizer não ao encerramento da urgência nocturna e como em Mourão ou Arraiolos, para exigir mais médicos, ou ainda em todo o distrito, para exigir a construção do novo Hospital Central do Alentejo).
Os próprios 112 delegados presentes na AOREV demonstraram ter uma profunda ligação e conhecimento do distrito em que intervêm. A esta trouxeram preocupações relacionadas com os pequenos e médios agricultores e com o mundo agrícola, em que, paradoxalmente, com o crescimento das áreas de regadio, aumenta a concentração de terras, trabalhadas sob um modelo de exploração intensiva e super-intensiva. Mas também sobre os transportes públicos e da falta que fazem aos mais jovens e a todos os que encontram barreiras na sua mobilidade. E se uns abordaram esse entrave porque o conhecem em primeira mão, outros falaram da ferrovia, das estações e quilómetros de caminhos-de-ferro encerrados e da gritante falta de investimento na Linha do Alentejo.
À AOREV vieram relatos da luta que é preciso travar junto das mulheres (que continuam por usufruir de completa igualdade salarial), dos jovens (que se vêem forçados a abandonar a sua terra por falta de trabalho e oportunidades) e dos reformados (que vivem de magras reformas porque trabalharam por magros salários, alguns deles cada mais isolados). Falou-se do acesso à educação e à ciência – com uma breve caracterização da situação na Universidade de Évora – e do acesso à criação e fruição cultural. Falou-se da necessidade de lutar, também ali, pela paz, e pelo desenvolvimento económico da região ao aproveitar todas as suas muitas potencialidades, e do desenvolvimento da luta junto dos trabalhadores (como o processo de preparação para a greve geral de ontem).
Os trabalhos da XI AOREV foram também acompanhados por Manuel Pinto Ângelo e Ângelo Alves, dos organismos executivos do Partido, e Adelaide Alves, membro da Comissão Central de Controlo.
Reforço
Estiveram igualmente presentes elementos ligados à organização partidária, essenciais ao seu funcionamento e reforço: discutiu-se o papel da imprensa partidária e da propaganda, da independência financeira do Partido. Escutaram-se exemplos de passos concretos que estão a ser dados, como a criação do sector de empresas no concelho de Évora, dos recrutamentos realizados e das metas e nomes levantados para o mesmo efeito (mais de 60), e da responsabilização de quadros (com uma meta de 40), assim como do processo de entrega do novo cartão de militante.
A intervenção do Partido no plano autárquico, integrado na CDU, foi também amplamente discutida.
Moções aprovadas
Na AOREV foram ainda aprovadas duas moções: «Pela paz, a cooperação e a solidariedade entre os povos», em que os comunistas do distrito exortaram todos os democratas a exigirem o cumprimento da Constituição da República e o fim da utilização do território e espaço aéreo nacional pelos agressores capitalistas. Na segunda, «Mais força aos trabalhadores», assumiram o compromisso de reforçar movimento sindical unitário e as organizações representativas dos trabalhadores.
Resolução aprovada e Direcção eleita
A proposta de Resolução Política colocada à apreciação e votação dos delegados foi aprovada por unanimidade no final dos trabalhos. Como salientou Patrícia Machado, o processo de preparação da AOREV (à semelhança de todas as outras que se têm realizado e se realizarão ainda até ao final do mês) foi, em si mesmo, um «importante exercício de democracia interna, de afirmação dos nossos ideais e princípios de funcionamento, de discussão aberta e fraterna e de reflexão individual e colectiva».
«Foram meses de intensos», contou, em que as «organizações do Partido analisaram, discutiram e aprofundaram a situação vivida e sentida no distrito e em que se definiram as linhas de intervenção necessárias para agir sobre a realidade em que nos inserimos». Foi o que sucedeu nas 26 assembleias plenárias realizadas.
Depois de todo esse processo, a Resolução Política, discutida e aprovada por unanimidade na XI AOREV, é um «guia para a acção que nos permitirá, assim saibamos tirar partido dela, levar muito mais longe a actividade, a luta e a intervenção do Partido», assinalou a dirigente.
Paulo Raimundo, por sua vez, salientou as importantes linhas de acção e propostas presentes no documento, apelando a que todos os camaradas as comecem a concretizar «a partir do dia de manhã». Em particular aos 40 membros da nova Direcção da Organização Regional que foi eleita na sessão reservada a delegados.