- Nº 2740 (2026/06/5)

Resistência e solidariedade contra a agressão dos EUA a Cuba

Internacional

Cuba reafirma a sua disponibilidade para manter um diálogo «sério e responsável» com os EUA, em conversações baseadas na igualdade soberana e no respeito mútuo, sem condições prévias nem ingerências nos assuntos internos.

Terminaram anteontem, 3 de Junho, dia em que se cumpriu o 95.º aniversário de Raul Castro, as tribunas anti-imperialistas nas principais cidades cubanas, promovidas pela União de Jovens Comunistas de Cuba e outras organizações de massas. De Havana a Santiago, de Guantanamo a Pinar del Rio, de Holguin a Trinidad, foram muitos milhares os cubanos que demonstraram o seu repúdio pelas ameaças do imperialismo norte-americano ao General de Exército Raul Castro e reafirmaram que não há ameaças, bloqueios, cerco energético ou falsas acusações que sejam capazes de vergar a vontade do povo cubano em defesa da sua Revolução.

Um pouco de todo o mundo chegam a Cuba manifestações de repúdio pelas falsas acusações dos EUA contra Raul Castro – de Estados, forças políticos, organizações sindicais e de solidariedade –, num momento em que os EUA reforçam a presença militar junto a Cuba e intensificam as ameaças de agressão militar contra o país caribenho.

Mas a solidariedade não é só política, é também material. Na semana passada, chegaram a Cuba 15 mil toneladas de arroz enviadas pela República Popular da China, primeiro lote de uma doação esperada de 60 mil toneladas. A China continua também a enviar e a apoiar a instalação de parques fotovoltaicos de modo a minimizar os efeitos do cerco petrolífero que os EUA impõem a Cuba.

Aumentar capacidades próprias

O incremento da produção nacional é um dos objectivos definidos pelo Governo cubano para superar a difícil situação que o país atravessa devido aos crescentes obstáculos impostos pelo constante agravamento do bloqueio. Há dias, o Presidente da República de Cuba, Miguel Diaz-Canel, visitou uma empresa cubano-vietnamita de produção de arroz, na província de Pinar del Rio. O dirigente salientou, na ocasião, as vantagens desta cooperação, tanto ao nível dos investimentos como da experiência acumulada pelo Vietname nesta produção em concreto. Agradecendo a firmeza dos vietnamitas, que não cederam às pressões norte-americanas, Miguel Diaz-Canel garantiu que, «em breve, Cuba poderá tornar-se auto-suficiente em arroz», valorizando ainda a importância da empresa para criar empregos e melhorar o bem-estar da população daquela província.

Também na área da Saúde, Cuba continua a rasgar horizontes: no dia 27, numa cerimónia realizada no Palácio da Revolução perante o Presidente da República, cientistas cubanos apresentaram os resultados de um novo candidato vacinal terapêutico para o tratamento de diversos tumores malignos.

Denúncia e condenação internacional

Em diversos espaços internacionais, Cuba prossegue a denúncia da agressão e da ameaça norte-americana. Intervindo na sede das Nações Unidas, numa reunião do Grupo de Amigos da Governança Global, o ministro das Relações Exteriores de Cuba alertou para os perigos que pairam sobre o seu país, que «amanhã podem recair sobre qualquer nação». Insistindo que o seu país não constitui qualquer ameaça para os EUA, Bruno Rodríguez sublinhou: «ninguém duvide que, chegados a uma situação que esperamos que nunca ocorra, o povo de Cuba combaterá até às últimas consequências.»

Numa entrevista concedida à Prensa Latina, o mesmo governante reafirmou a permanente disposição em manter um diálogo sério e responsável com os EUA: «Cuba não é um inimigo dos EUA, nem quer sê-lo», acentuou. Mas tal diálogo, acrescentou, deve respeitar os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas – a igualdade soberana e o respeito mútuo. Já no passado, recordou, ficou demonstrado que ambos os países podem resolver diferenças complexas – e é essa a vontade dos povos cubano e norte-americano, garantiu.

Também perante a sessão plenária da Conferência do Desarmamento, Cuba denunciou as ameaças de agressão militar por parte do governo dos EUA, pela voz do embaixador Rodolfo Benítez, representante permanente junto dos organismos internacionais em Genebra. O diplomata qualificou a situação como de «extrema gravidade» e denunciou o recrudescimento do bloqueio económico e as restrições ao fornecimento de combustível, assinalando impactos em sectores essenciais como a electricidade, o abastecimento de água, o transporte, a produção de alimentos e os serviços médicos.