- Nº 2740 (2026/06/5)

Solidariedade, soberania e paz na reunião da EuroLat

Internacional

Decorreu, na passada semana, na Cidade do México, a reunião da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana – EuroLat. Nas reuniões das várias comissões foram discutidas questões diversas, como as migrações, o combate ao crime organizado, os direitos e violências sobre as mulheres, os direitos das comunidades indígenas, entre outros.

Esta reunião ocorre num momento em que se agravam as desigualdades, a exploração dos trabalhadores, a dependência económica e as pressões imperialistas sobre os povos latino-americanos, incluindo sobre o país anfitrião, o México.

Sempre entendemos que este espaço, para além da discussão sobre temas concretos e da possível cooperação birregional em diferentes matérias, deve constituir um espaço de diálogo assente no respeito pela soberania dos povos, pela igualdade entre Estados, pela cooperação mutuamente vantajosa e pela defesa da paz. Sempre rejeitámos que a EuroLat fosse transformada num instrumento neocolonial, de legitimação de políticas de ingerência, chantagem e submissão aos interesses do imperialismo e dos grandes grupos económicos de um lado e outro do Atlântico, em que alguns, nomeadamente forças da direita e da extrema direita, o continuam a querer transformar.

Foram estes princípios que orientaram a nossa intervenção naquele espaço e, foi nesse contexto, que assumiu particular significado a acção de solidariedade com Cuba promovida por João Oliveira, deputado do PCP no PE, iniciativa que contou com a participação de deputados da América Latina e do Parlamento Europeu – de diferentes grupos políticos – e constituiu um momento de denúncia das ameaças e agressões dos Estados Unidos contra Cuba, bem como do recrudescimento do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto há mais de seis décadas ao povo cubano.

As recentes medidas da administração norte-americana representam uma nova e perigosa escalada. Ao reforçarem sanções, perseguições económicas e mecanismos de asfixia financeira e energética, os EUA procuram agravar as dificuldades vividas pelo povo cubano, condicionar o seu desenvolvimento e criar instabilidade numa região que deve ser defendida como zona de paz.

A solidariedade com Cuba é, por isso, inseparável da luta contra o imperialismo, contra o bloqueio e contra todas as formas de ingerência externa. É também inseparável da defesa do direito de cada povo a escolher livremente o seu caminho, sem ameaças, sanções, bloqueios ou agressões militares. É também a solidariedade com todos os povos e países da América Latina e das Caraíbas.

Desta acção saiu uma mensagem clara: perante a ofensiva imperialista, a resposta dos povos deve ser a solidariedade, a cooperação e a luta.

 

Joel Moriano