Luta viva no chão de fábrica
Digam o que disserem o Governo, os patrões e os propagandistas ao seu serviço, a greve geral foi forte no sector industrial. De norte a sul do País, muitas fábricas dos mais variados sectores estiveram com a produção parada graças à adesão massiva dos trabalhadores, expressão viva da sua determinação em derrotar de vez o pacote laboral e o que ele prevê de agravamento da exploração e das condições de trabalho e de vida. E também da sua disponibilidade para, a partir das actuais relações de trabalho, já amplamente favoráveis ao patronato, avançarem na valorização dos seus direitos.
Isso mesmo ficou evidente à porta da Cerealto, fábrica de bolachas em Sintra. Marcelo Assis, da CT, valorizou a adesão de muitos trabalhadores temporários, que contribuíram para que a produção tivesse parado, e recordou a luta que há muito se trava por aumentos de salários e do subsídio de refeição e pela equiparação dos contratos, acabando com as disparidades existentes. «Os trabalhadores perceberam que com o pacote laboral tudo iria piorar», afirmou.
Também na Exide, que fabrica baterias, a produção parou. Para o sindicalista João Cruz, há uma ampla compreensão acerca dos efeitos que por exemplo a questão do banco de horas teria naquela empresa, onde há muito trabalho extraordinário, sobretudo aos sábados. Deixando de ser pago, haveria operários que teriam reduções de vencimento na ordem das centenas de euros. Situação semelhante foi denunciada por Paula Sobral, no piquete da Visteon, em Palmela. Não longe dali, no Parque Industrial da Autoeuropa, o dirigente sindical Nuno Santos valorizou a adesão verificada, em coerência com o que tem sido a luta travada nas empresas ali sediadas.
No distrito do Porto, estiveram com produção parada ou fortemente condicionada a AAPICO, Cabelte, Contrastêxtil, Ficocables, Groz-Berckert, Hutchinson, Lactogal, Preh, Teijin, Wedrone e Super Bock, onde no turno da noite ninguém trabalhou: «as linhas pararam com o material lá em cima», valorizou um membro do piquete.
Mais a norte, a ZF em Ponte de Lima, empresa do sector automóvel com 1000 trabalhadores, tinha apenas um sindicalizado há um ano: em Dezembro, a greve geral foi ali pouco expressiva, mas anteontem foi significativa e teve lugar uma concentração de trabalhadores à porta da empresa. Na Browning, em Viana do Castelo, 90 por cento dos trabalhadores da produção paralisaram e na Orica, em Aljustrel, a produção esteve parada.
A greve fez-se sentir fortemente noutras empresas, de todo o País: Mitsubishi, Faurécia, Aumovio, Bosch, Apptiv, Amtrol-Alpha, Herdemar, Horse (ex-Renault), Huf, GLN-Novares, DS Smith, Celcat, Frismag, Hanon, Teijin, Forvia, Sovena, SMP, Euroresinas, Hutchinson de Campo Maior, Minas da Panasqueira, Tearfil, Mabera, Mecachrome, Tescap, Huber Tricot, Ecco, Paulo Oliveira, Penteadora, Gallo Vidro, Viroc, Lactogal, Cervejas da Madeira, Carnes Nobre, Bimbo, Cofisa, Silotagus e muitas outras.




