- Nº 2740 (2026/06/5)
A greve geral foi particularmente sentida no sector dos transportes. O Metropolitano de Lisboa, a CP, a IP, os STCP, os transportes municipais de Braga, Coimbra, Barreiro e Portalegre estiveram parados. No Metro do Porto, no Metro Sul do Tejo, na Carris, na Transtejo/Soflusa, na Atlantic Ferries, nos transportes rodoviários privados de passageiros, registaram-se fortes adesões. Muitos portos estiveram encerrados e também no sector aéreo se verificou uma participação próxima dos 100 por cento, exceptuando a realização de serviços mínimos.
Se este é o resumo do dia de greve neste sector estratégico, é demasiado curto para o que essa jornada significou: a unidade alcançada, a coragem necessária, a luta que a antecedeu – contra o pacote laboral e o que ele agravaria na situação dos trabalhadores do sector, mas também contra as privatizações, por mais direitos e, no caso das empresas públicas, pelo necessário investimento.
Foi junto a uma estação encerrada do Metropolitano de Lisboa que Paulo Machado, maquinista na empresa há 36 anos, relacionou a adesão dos trabalhadores à greve com a intensa preparação que a antecedeu, sobretudo os «vários plenários muito participados». Quanto ao pacote laboral, considera que agravaria uma situação que já hoje ocorre, embora de forma limitada: a subcontratação de trabalhadores por empresas externas. Já na estação ferroviária de Santa Apolónia – onde os quadros informativos anunciaram a supressão de quase todos os comboios previstos – o dirigente sindical Abílio Carvalho realçou que para além da compreensão da ameaça que representa o pacote laboral, os ferroviários sentem um grande descontentamento com a sua situação actual: cada vez ganham menos eo recurso ao trabalho extraordinário é cada vez maior, limitando o seu tempo para a família e o lazer. A isto acresce a degradação dos serviços e das infra-estruturas ferroviárias.
Nas estações da Carris e dos STCP, em Lisboa e no Porto, volumosos piquetes faziam o seu trabalho, esclarecendo dúvidas e vencendo hesitações. Em Coimbra, na Busway (concessionária do Sistema Integrado de Transportes) cerca de 80 por cento dos motoristas aderiram, muitos dos quais concentraram-se nas oficinas da empresa e rumaram à Praça de Greve. Na Guimabus, de Guimarães, e nos TUB-EM (Transportes Urbanos de Braga), a adesão superou os 90 por cento – na Central Rodoviária de Braga, nenhum autocarro de âmbito regional saiu em serviço e diversos de longo curso foram afectados. Os Transportes Urbanos da Cidade da Guarda estiveram parados a 100 por cento e nos transportes escolares verificou-se também uma elevada adesão.
No aeroporto de Lisboa, um dirigente sindical sublinhou que na véspera da greve já 65 por cento dos voos de e para os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Ponta Delgada tinham sido cancelados – o que representava mais de 300. No mesmo local, integrando o piquete, estava uma trabalhadora que via no banco de horas e na desregulação de horários algumas das principais ameaças incluídas no pacote laboral, a justificar toda a mobilização e toda a contestação.