EUA inventam pretexto para nova agressão a Cuba

Cuba rejeitou e condenou nos termos mais enérgicos a acusação dos EUA contra Raúl Castro, destacado líder da Revolução Cubana. «Trata-se de um acto desprezível e infame de provocação política», afirma Havana.

«Para os EUA, a lei é um fato à medida: apertado para os frágeis, folgado para os poderosos»

Numa mensagem lida na Tribuna Anti-imperialista José Martí, em Havana, na sexta-feira, 22, Raúl Castro garantiu que enquanto viver continuará a marchar com o povo cubano defendendo a Revolução. A mensagem foi transmitida pelo Herói da República de Cuba e coordenador nacional dos Conselhos de Defesa da Revolução, Gerardo Hernández, que leu o texto do dirigente revolucionário agradecendo a solidariedade do povo cubano e dos amigos no mundo.

Na sua intervenção, Hernández lembrou que a resposta de Cuba face às violações do seu espaço aéreo por parte da organização terrorista “Hermanos al Rescate”, em 1996, constituiu «um acto de legítima defesa, um direito inalienável de qualquer país».

Perante cerca de 250 mil pessoas reunidas na capital para rechaçar a acusação do Departamento de Justiça dos EUA contra Raúl Castro, Hernández recordou que Cuba denunciou oportunamente mais de 25 violações do seu espaço aéreo entre 1994 e 1996, e enviou alertas a Washington sobre as possíveis consequências, avisos que foram ignorados. «O seu silêncio foi cumplicidade. A sua inacção foi alento para os terroristas», considerou.

Hernández qualificou a acusação contra o líder cubano como «uma desprezível e ilegal provocação política» que se complementa «com o rancor, a frustração e a impotência de quem não suporta ver Cuba de pé, livre e soberana».

Questionou quem irá julgar Trump por ter «dado a ordem para assassinar mais de 200 pessoas em águas internacionais sem mostrar qualquer prova», acusando-as de narcotráfico. E comentou que, para os EUA, «a lei é um fato à medida: apertado para os frágeis, folgado para os poderosos».

Não é acusação, é pretexto
Na manifestação, por sua parte, o jovem jurista Rolando López qualificou a acusação dos EUA contra Raúl Castro «absolutamente fraudulenta e ilegítima» e sublinhou que a Convenção de Chicago de 1944 estabelece a soberania exclusiva dos Estados sobre o seu espaço aéreo. Denunciou que Washington pretende tergiversar e manipular factos históricos comprovados e amplamente documentados, que foram denunciados oportuna e formalmente pelas autoridades cubanas ao governo norte-americano.

Também Betina Palenzuela, filha de Adriana Corcho, vítima do atentado contra a embaixada de Cuba em Lisboa, em 1976, falou em nome dos familiares de mais de três mil cubanos assassinados por actos terroristas organizados ou financiados pelos EUA.

«Raúl dedicou toda a sua vida a defender a soberania de Cuba e a paz entre as nações. Não podemos continuar a permitir o genocídio que se prepara a partir de Washington», afirmou.

Palenzuela recordou que 67 anos de agressões, invasões mercenárias, sabotagens e atentados a sedes diplomáticas cubanas no exterior, no meio de um desumano bloqueio, custaram a vida a mais de 3400 compatriotas vítimas do terrorismo.

Na concentração na Tribuna Anti-imperialista participaram o presidente Miguel Díaz-Canel, o presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Esteban Lazo, o primeiro-ministro Manuel Marrero e outras altas autoridades do país.

Compromisso firme
O Presidente da República e Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba, Miguel Díaz-Canel reafirmou numa mensagem tornada pública o compromisso de Cuba com a defesa dos seus heróis e da história nacional, em resposta a uma nova agressão dos inimigos da nação. «A nova agressão uniu-nos mais e elevou a honra, a dignidade e o sentimento anti-imperialista de um povo já reconhecido em todo o mundo pela sua corajosa resistência a qualquer tipo de subordinação ao império», sublinhou.

O acto público foi convocado pela União dos Jovens Comunistas (UJC), organizações de massas e movimentos estudantis. A sua convocatória proclama que «o povo cubano reafirma que nem ameaças, nem bloqueio, nem cerco energético, nem falsas acusações serão capazes de quebrar a vontade de todo um povo em defesa da Revolução».

 

Solidariedade faz-se ouvir

De todo o mundo chegam a Cuba expressões de solidariedade com Raúl Castro e a Revolução cubana, vindas de Estados, partidos políticos e organizações sociais.

De Portugal, o PCP divulgou no dia 20 uma nota em que repudia e condena a «pretensa acusação tornada pública pelo Departamento de Justiça dos EUA contra o General de Exército Raúl Castro Ruz». Trata-se, acrescenta o Partido, de mais uma vergonhosa manobra promovida pela Administração Trump que procura dar cobertura à escalada de agressão e de ameaças dos EUA contra Cuba e que constitui uma afronta aos princípios da Carta da ONU e ao direito internacional. «Uma manobra hipócrita e inaceitável que procura apresentar Cuba, que exerce a sua legítima defesa, como pretensa “agressora” e como pretensas “vítimas” as organizações que desenvolvem a partir dos EUA toda uma acção desestabilizadora contra Cuba», consideram. E lembram que é disso exemplo «a acção terrorista que foi protagonizada pelos denominados “Hermanos al Rescate”, nomeadamente em 1996, cujo líder, José Basulto, é apontado como um ex-operativo da CIA com participação em actos de sabotagem e planos de assassinato em Cuba desde a década de 1960». Mais: recordam «o papel exemplar dos Cinco Heróis Cubanos na exposição do carácter terrorista desta e de outras organizações anti-cubanas que desenvolvem a sua acção a partir dos EUA».

AAPC e CPPC solidários
A Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) manifestou total solidariedade com Raúl Castro e o povo cubano e denunciou a mais recente campanha de manipulação e hostilidade promovida pelos EUA contra a Cuba. E reafirma o seu «apoio incondicional à Revolução Cubana, à soberania de Cuba e ao direito do seu povo de decidir livremente o seu futuro, sem ingerências externas», apelando «a todos os democratas e progressistas à activa solidariedade com Cuba e defesa da paz».

Também o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) repudiou a mais recente expressão da escalada de agressão dos EUA contra Cuba, patente na encenação de acusação judicial contra Raúl Castro, um dos mais destacados dirigentes da Revolução cubana. «Ao contrário do que a administração norte-americana pretende fazer crer, nada disto tem a ver com Justiça: trata-se de mais uma descarada operação contra um povo cujo único “crime” é rejeitar os ditames e o domínio neocolonial que os EUA querem impor e insistir em ser soberano, livre e solidário com os povos do mundo», realçou o CPPC.

 



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