UMA GRANDE GREVE GERAL PARA TRAVAR RETROCESSOS
“Não contaram com a luta dos trabalhadores”
A greve geral do próximo dia 3 de Junho, cuja preparação decorre em empresas e sectores de todo o País, é a grande batalha que os trabalhadores e o povo têm perante si nos próximos dias. Derrotar o pacote laboral é de importância decisiva para o presente e o futuro de um País que se quer justo e desenvolvido e não assente em baixos salários, na precariedade perpétua, nos horários desregulados, na emigração de tantos jovens, numa economia dependente e de baixo valor acrescentado. Travar este projecto de exploração e empobrecimento, este autêntico assalto aos trabalhadores, é um passo decisivo para construir a vida melhor a que todos temos direito.
A demagogia dos patrões, do Governo e dos seus sucedâneos reaccionários da IL e do Chega já não engana ninguém: falam de “modernidade”, mas querem retrocesso e a “rigidez” que criticam é a que os separa de ainda mais exploração, mais desigualdade, mais acumulação de riqueza. Contavam que a maioria parlamentar de que dispõem lhes facilitasse a vida e não esperavam que, quase um ano passado sobre a apresentação do pacote laboral, este não só não tivesse sido aprovado como se encontrasse amplamente rejeitado. Esperavam o quê? Que os trabalhadores aceitassem de braços abertos os despedimentos sem justa causa, o trabalho extraordinário não pago, a precariedade para toda a vida, o “come e cala” da limitação da actividade sindical e do direito à greve?
Com o que não contaram foi com a luta dos trabalhadores, dos que já hoje enfrentam vidas tão difíceis, se deparam com um brutal aumento do custo de vida e sentem – e sentem-no com razão – que são tratados como peças descartáveis de uma engrenagem que apenas serve a uns poucos muito ricos, e cada vez mais ricos. Foi esta luta, travada em inúmeras acções nas empresas e nos sectores, em concentrações e manifestações, na greve geral de 11 de Dezembro, no 25 de Abril e no 1.º de Maio, que rejeitou o pacote laboral. Da mesma forma que a sua derrota definitiva dependerá sempre da continuação e intensificação desta luta – e não de tiradas sonantes, desbragada demagogia, arranjos parlamentares ou publicações nas redes sociais.
Às organizações e militantes do Partido está colocada a tarefa de tudo fazer para assegurar o êxito da greve geral: integrando piquetes, participando nas concentrações e manifestações marcadas para o próprio dia 3, promovendo a unidade, dando confiança na justeza desta batalha e na possibilidade – e absoluta necessidade – de a vencer.
O pacote laboral é uma expressão particularmente violenta da desastrosa política anti-Abril e à margem da Constituição da República Portuguesa que tem vindo a ser seguida nas últimas décadas, mas está longe de ser a única. No contínuo desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública, na crescente elitização do acesso aos mais elevados graus de ensino, nas limitações cada vez mais gritantes ao direito à habitação (em que a cada medida do Governo correspondem novos aumentos de rendas e prestações e mais dificuldades para a maioria, sobretudo para os jovens), na recusa em valorizar salários e pensões, no assalto em curso aos descontos dos trabalhadores, nas migalhas dedicadas à Cultura e ao Desporto, encontramos uma mesma marca de classe, opções políticas em benefício de uma ínfima minoria. É graças a elas que, como um estudo recente revelou, os 10% mais ricos do País concentram já mais de 60% do total da riqueza nacional. E não pararão por aqui – a menos que sejam parados!
No presente quadro internacional, a vergonhosa submissão de Portugal aos EUA, à NATO e à UE – patente uma vez mais, e de modo grosseiro, na cedência da Base das Lajes para a agressão ao Irão (antes até de ter sido solicitada, fazendo fé nas declarações do Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio) – assume particular gravidade.
O desvio crescente para armamento de verbas que faltam nos salários, nas pensões, na Saúde e na Educação; a escalada de confrontação e a retórica militarista; o prolongamento da guerra no Leste da Europa e no Médio Oriente; o genocídio e ocupação na Palestina; a imposição de bloqueios e sanções a países como Cuba e Venezuela – têm duas faces: a morte e a destruição, por um lado, e por outro, a exploração, o ataque a direitos e liberdades, a degradação das condições de vida. Em ambos os casos são os povos a pagar a factura. Para outros, poucos, sobra sempre a fartura.
É com este caminho que é preciso romper, construindo uma alternativa de progresso e justiça social, indissociável da defesa da paz e da cooperação. Uma alternativa que nasce da luta de todos os dias, do despertar de consciências, da mobilização de vontades. Neste processo, o PCP assume um papel determinante, pelo que o seu reforço é fundamental, aplicando as medidas constantes na resolução “Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”, desde já, pela sua proximidade, a preparação e divulgação da Festa do Avante!. Como afirmou o Secretário-Geral na Assembleia da Organização Regional de Aveiro, «aqui está este Partido com 105 anos, com a coragem de sempre para enfrentar os que se acham donos disto tudo». Na greve geral e para lá dela!




