- Nº 2738 (2026/05/21)

Muitas lutas em países da Europa por direitos e em defesa da paz

Internacional

Em vários países da Europa, trabalhadores e outros sectores travam fortes lutas pelo aumento de salários, em defesa de direitos laborais e sociais, pela paz, contra o militarismo e a guerra.

Na Bélgica, pela 15.ª vez em 18 meses, dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se contra as medidas pretendidas pelo Governo belga, que visam atacar o sistema de pensões e os direitos laborais e cortar orçamentos sociais, para financiar a guerra e o armamento.

O Partido dos Trabalhadores da Bélgica (PTB) valorizou a manifestação que se realizou em Bruxelas no dia 12 de Maio em que participaram dezenas de milhares de trabalhadores dos sectores público e privado, jovens, movimentos de defesa da paz e da solidariedade, dos direitos das mulheres, da democracia.

O que está hoje em causa não é apenas uma medida ou outra, realçou o PTB: «Trata-se de todo o projecto do governo: um modelo em que os direitos da classe trabalhadora são sacrificados para dar presentes aos ultra-ricos e libertar cada vez mais milhões para a guerra. A este modelo, opomos outra escolha: justiça social, respeito pelo trabalho, solidariedade e paz».

Exercendo o poder desde 2025, o Governo de coligação belga – uma mescla de cinco partidos de direita, liberais e social-democratas – tenta impor medidas que, se avançassem, representariam um ataque às condições de vida e de trabalho, como o aumento da idade da reforma, a aplicação de acrescidas penalizações aos trabalhadores que se reformassem antes do previsto ou a redução das protecções para o trabalho nocturno, entre outras gravosas medidas. No entanto, graças à contínua e forte mobilização popular, o Governo belga foi forçado a recuar em muitas destas medidas – a dita “reforma” do sistema de pensões, por exemplo, foi de novo adiada.

A mobilização do dia 12 terminou com um apelo à participação num novo protesto massivo em Bruxelas, a 14 de Junho, centrado na resistência ao rearmamento da UE e às suas políticas de guerra.

Melhores salários

Uma greve geral convocada pela União Sindical de Base (USB) e outras organizações dos trabalhadores paralisou na segunda-feira, 18, os sectores do transporte, da educação e da saúde em toda a Itália. Os grevistas exigiram aumentos de salários e direitos laborais, rejeitando a actual política do governo de extrema-direita italiano.

Os sindicatos questionam o aumento do orçamento destinado à escalada armamentista e à guerra e os severos cortes aplicados em simultâneo nos serviços públicos. Argumentam que os gastos para a guerra reduzem o poder aquisitivo da classe trabalhadora e a qualidade dos apoios sociais. Enfatizam que cada recurso financeiro desviado para a indústria armamentista representa uma perda para os que trabalham, estudam ou necessitam de assistência médica. A plataforma sindical denunciou, além disso, o ataque contra o direito internacional e a preocupante cumplicidade do Governo italiano face ao genocídio e à ocupação em curso na Palestina por Israel.

Entre outros aspectos, o texto que convoca a greve exige a ruptura com as políticas belicistas e o fim dos planos governamentais de militarização. As exigências centrais da mobilização focam-se no aumento dos salários dos trabalhadores e na defesa dos serviços públicos, nomeadamente da saúde e educação. Durante a jornada de luta realizaram-se grandes manifestações nas principais cidades de Itália.

Não ao militarismo

Na Alemanha, no dia 8 de Maio, dezenas de milhares de estudantes participaram numa greve escolar contra o serviço militar obrigatório e a militarização levada a cabo pelo Governo de coligação alemão – entre a direita e a social-democracia –, realizando manifestações em 150 cidades por todo o país

A greve teve lugar no 81.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, que trouxe a paz à Europa com a derrota do nazi-fascismo. Esta foi a terceira greve estudantil desde 5 de Dezembro de 2025, dia em que a nova lei do serviço militar obrigatório foi aprovada no parlamento alemão.

A escalada militarista da Alemanha está a acelerar. Embora o serviço militar continue a ser oficialmente voluntário, o governo estabeleceu a meta de atingir 460 mil soldados até 2029 (260 mil soldados no activo – actualmente são cerca de 185 mil – e 200 mil reservistas), o que supera o limite máximo de 370 mil soldados estabelecido para a República Federal da Alemanha, após a anexação da República Democrática Alemã.

Por melhores salários

Na Grécia, muitos milhares de pessoas manifestaram-se no dia 13, dia em que se realizou uma greve dos trabalhadores do sector público para exigir ao Governo de direita da Nova Democracia aumentos salariais e medidas contra a carestia de vida, denunciando a perda de poder de compra e da degradação das condições de vida, quando se verifica um excedente orçamental no país e os grupos económicos acumulam enormes lucros.

Milhares de trabalhadores concentraram-se no centro de Atenas, enquanto outras mobilizações decorreram noutras cidades da Grécia. Os manifestantes concentraram-se frente ao parlamento grego empunhando cartazes dizendo «Dêem dinheiro para a educação e não para a guerra» ou «Exigimos salários dignos».

Os trabalhadores exigiram o restabelecimento de dois pagamentos extraordinários anuais para funcionários e reformados, suprimidos durante a intervenção da tróica no país, e que só foram posteriormente repostos no sector privado.