Faleceu Abel Manta
Artista plástico, arquitecto, pintor e ilustrador, João Abel Manta morreu, no dia 15, aos 98 anos. Com obra premiada a nível internacional, o autor multifacetado é sobretudo reconhecido pelas distintivas caricaturas de intervenção política, críticas da ditadura fascista, e pelas imagens que fazem parte do imaginário colectivo do 25 de Abril, que incluem os cartazes de apoio ao Movimento das Forças Armadas.
Nascido em 1928, numa família de pintores, Abel Manta forma-se em arquitectura em 1951. A mestria na pintura, cerâmica, tapeçaria, mosaico, ilustração e cartoon surgem mais tarde numa carreira que ia já cimentando. No entanto, o seu traço comprometeu-se desde cedo com as convicções políticas da oposição democrática, actividade que lhe chegou a valer a prisão. A 1 de Fevereiro de 1948, aos 20 anos, participando já no MUD Juvenil, passa duas semanas na cadeia do Forte de Caxias, detido numa vaga de prisões realizadas pela PIDE.
Nos anos anteriores e posteriores a 1974, publica regularmente em jornais de grande tiragem, como o Diário de Notícias, O Jornal e o Jornal de Letras, tendo sido director de arte deste último. O 25 de Abril apanha-o na redacção do Diário de Lisboa, os cartoons então produzidos acabariam por definir, em parte, a identidade gráfica da revolução.
Várias vezes distinguido, contam-se entre os galardões a medalha de prata na Exposição Internacional de Artes Gráficas, em 1965, e o Prémio de Ilustração na Exposição de Artes Gráficas de Leipzig, em 1975.




