- Nº 2737 (2026/05/14)

1971 – Pablo Neruda vence o Prémio Nobel da Literatura

Memória

A Academia Sueca decidiu atribuir o Prémio Nobel da Literatura de 1971 a Pablo Neruda por uma poesia que, «com a acção de uma força elementar, dá vida ao destino e aos sonhos de um continente». Nascido em 1904, Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto (nome verdadeiro do poeta) foi autor de uma vasta obra, com títulos tão relevantes quanto Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, Canto Geral, Cem Sonetos de Amor ou Os Versos do Capitão, para além da autobiografia Confesso que Vivi e da compilação de discursos e apontamentos, Nasci para Nascer.

Para além da poesia, Neruda foi também um destacado membro do Conselho Mundial da Paz e um activo militante do Partido Comunista do Chile e construtor da Unidade Popular, frente política que apoiou a candidatura presidencial de Salvador Allende, em 1970, e a experiência da “via chilena para o socialismo”, brutalmente interrompida três anos depois pelo golpe fascista dos militares e do imperialismo norte-americano. Pablo Neruda morreria dias depois do golpe, em circunstâncias nunca cabalmente explicadas.

No discurso do Nobel, Pablo Neruda afirmou que se o poeta se unir a esta luta inacabada para estender a cada um e a todos a sua parte do se trabalho, o seu esforço e a sua ternura para com o trabalho diário de todas as pessoas, então o poeta deve participar, o poeta participará, do suor, do pão, do vinho, de todo o sonho da humanidade».