- Nº 2737 (2026/05/14)

Liberdade para os presos políticos palestinianos em Israel

Internacional

Mais de 9600 presos políticos palestinianos estão encarcerados nas prisões israelitas, incluindo 86 mulheres e cerca de 350 menores, submetidos a todo o tipo de arbitrariedades, maus tratos e violências. Entre eles encontram-se Marwan Barghouti, dirigente palestiniano ilegalmente detido desde 2002, e Ahmad Sa'adat, Secretário-Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina, preso ilegalmente desde 2006.

O Centro Palestiniano para a Defesa dos Prisioneiros denunciou no sábado, 9, os intentos de Israel organizar visitas da Cruz Vermelha Internacional a cárceres sem permitir encontros com os presos políticos palestinianos, de forma a tentar esconder as deploráveis condições em que se encontram. Afirma este Centro que se essas visitas não incluírem o contacto livre e directo com os presos não garantirão uma verdadeira supervisão nem poderão revelar a verdade sobre as graves violações a que os detidos estão sujeitos. E denuncia que Israel pretende limitar o papel da Cruz Vermelha a “visitas turísticas” pelos corredores e a reuniões apenas com os carcereiros, em vez de escutar testemunhos dos presos palestinianos, vítimas de crimes sistemáticos.

A organização palestiniana advertiu contra a conversão destas visitas numa cobertura que legitime as práticas criminosas israelitas. E, perante tal situação, apelou ao Comité Internacional da Cruz Vermelha que rejeite qualquer imposição que não garanta o direito dos presos políticos palestinianos a reunir-se livremente com os membros da Cruz Vermelha, em condições que salvaguardem a sua integridade e direitos, longe do controlo dos carcereiros. Só assim se poderá assegurar que é transmitida a verdade sobre o que está a acontecer dentro das salas de interrogatório e das celas de isolamento dos centros de detenção israelitas, garante.

Violência e arbitrariedade

Mais de 9600 presos políticos palestinianos estão encarcerados nas prisões israelitas, incluindo 86 mulheres e cerca de 350 menores, denunciaram recentemente diversas organizações que trabalham sobre o tema dos presos palestinianos. Do total, mais de 3500 são detidos “administrativos” – isto é, sem culpa formada –, alertaram num comunicado conjunto a Comissão de Assuntos de Presos e ex-Presos, o Clube dos Prisioneiros e a Fundação Addameer. Estas organizações reafirmam que a denominada “prisão administrativa” viola o direito a processo judicial e permite às autoridades israelitas não apresentarem as alegadas “provas” contra os presos enquanto estes permanecem detidos durante longos períodos sem ser acusados, julgados ou condenados.

Segundo o Centro Palestiniano para a Defesa dos Prisioneiros, a lista dos presos políticos palestinianos nos cárceres israelitas inclui trabalhadores, estudantes, jornalistas, activistas, advogados, engenheiros, médicos, académicos, parlamentares, entre outros.

Mais de 245 mil vítimas na Faixa de Gaza

Subiu para cerca de 850 o número de palestinianos assassinados em ataques das forças militares israelitas na Faixa de Gaza desde o cessar-fogo estabelecido em Outubro de 2025. O Ministério da Saúde do território, em comunicado, informou que, até ao dia 7, foram confirmados 846 mortos e 2418 feridos palestinianos.

Denunciou também que, até agora, foram recuperados 769 corpos nas áreas de onde os ocupantes israelitas se retiraram até ao momento.

Por outro lado, a mesma fonte indicou que, desde que começou a actual agressão genocida lançada por Israel, em Outubro de 2023, registaram-se 72.628 mortos e 172.520 feridos, num total de 245.148 vítimas palestinianas na Faixa de Gaza, havendo ainda cadáveres sob os escombros que não foram contabilizados.