- Nº 2737 (2026/05/14)
Ainda sob o impacto da grande jornada de luta do 1.º de Maio, marcada pelo anúncio da greve geral de 3 de Junho (cujo pré-aviso a CGTP-IN apresentou na segunda-feira passada), os trabalhadores e as suas organizações sindicais desenvolvem uma intensa acção, dinamizando a acção reivindicativa nas empresas e sectores e preparando a greve para derrotar o pacote laboral, impedir o retrocesso, por mais salário e mais direitos e em defesa dos serviços públicos.
De facto, o Governo prepara-se para apresentar na Assembleia da República o pacote laboral, que a intensa luta dos trabalhadores impediu que, até agora, fosse aprovado.
Por vontade do Governo PSD/CDS, dos patrões e dos partidos que os apoiam – Chega e IL – este pacote laboral já há muito teria sido aprovado. E, se não foi, isso deveu-se à intensa luta dos trabalhadores e da sua organização sindical, ao longo de 2025 e 2026, com diversos momentos de expressão convergente nomeadamente na manifestação nacional de 17 de Abril, nas comemorações populares do 25 de Abril e na jornada de luta do 1.º de Maio.
Importa, pois, prosseguir e dinamizar a luta contra esta famigerada declaração de guerra aos trabalhadores, que ameaça seriamente os seus direitos, visando, nomeadamente: facilitar os despedimentos sem justa causa; promover mais precariedade com o alargamento das condições para contratação por outsourcing; desregular ainda mais os horários de trabalho, com o aumento do horário de trabalho e do trabalho não pago; atacar os direitos de maternidade e paternidade, obrigando, por exemplo, pais com filhos menores de 12 anos a trabalhar à noite, feriados e fins-de-semana; facilitar a caducidade da contratação colectiva; impor a limitação do direito à greve e limitar o direito de organização dos trabalhadores e da acção sindical.
Do alto da sua arrogância, o Governo PSD/CDS, o grande patronato e os seus instrumentos partidários, nomeadamente o Chega e a IL, convenceram-se que tinham uma passadeira estendida para o assalto aos direitos dos trabalhadores. Mas, subestimaram a força da luta organizada dos trabalhadores. Uma luta que, mais uma vez, se vai afirmar na greve geral de 3 de Junho e em que se integra a acção reivindicativa nas empresas e sectores, de que foram expressão esta semana a greve dos enfermeiros convocada pelo SEF e vai ser, no próximo sábado, a manifestação nacional de professores em Lisboa, convocada pela FENPROF.
Na verdade, será sempre a luta a impor um outro caminho e a fazer com que se cumpram os direitos consagrados na Constituição.
Foi também este o sentido do desfile que o PCP promoveu em Lisboa esta terça-feira, sob o lema «Combater o custo de vida. Aumentar salários e pensões. Abaixo o pacote laboral.»
De facto, recai sobre o povo, os trabalhadores, a juventude, os reformados, as famílias, os produtores, os micro, pequenos e médios empresários um aumento brutal do custo de vida, em consequência da guerra que o imperialismo – EUA e Israel – leva a cabo, agora, no Médio Oriente e que o grande capital aproveita para obter lucros escandalosos. Guerra que PSD, CDS, IL e Chega apoiam e para a qual arrastaram o País, quando autorizaram a utilização da Base das Lajes como trampolim para os bombardeamentos dos EUA ao Irão.
Mas, PSD, CDS, Chega e IL são também responsáveis por cada cêntimo no aumento dos combustíveis, da botija do gás, da energia, das rendas e prestações, pelos brutais aumentos dos preços dos alimentos. E são também responsáveis pelos lucros escandalosos dos grupos económicos e multinacionais.
Afirmar o caminho da paz; exigir a regulação dos preços; limitar as margens de lucro; fixar o preço da botija do gás nos 20 euros; apoiar os pequenos produtores e defender as micro, pequenas e médias empresas, é esse o sentido da luta dos trabalhadores e do povo e, articulada com ela, da intervenção do PCP.
Face à situação que vivemos, impõe-se, pois, avançar de forma decidida para o aumento intercalar dos salários e fixar a 1 de Julho o aumento em 50 euros para todos os reformados e pensionistas.
É também esse o sentido em que se desenvolve a acção de reforço do PCP «Um PCP mais forte. É preciso! É possível!».
É preciso um PCP mais forte para uma melhor e mais intensa intervenção em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País; para defender direitos; travar a desastrosa política em curso, de que são responsáveis PSD, CDS, Chega e IL, com a cumplicidade do PS; abrir caminho à alternativa política necessária para que se cumpra a Constituição e se retome os trilhos de Abril.
Este é, de facto, o Partido da liberdade, da democracia, da paz, da soberania e independências nacionais, o Partido dos valores de Abril. O Partido insubstituível, que é preciso reforçar.
O Partido assente na história, na cultura e na luta do povo, um Partido patriótico e simultaneamente internacionalista, um Partido anti-imperialista e solidário com a luta dos povos por um mundo melhor.