Garantir soberania alimentar ao valorizar produção nacional

O Secretário-Geral do PCP esteve, no dia 2, na Ovibeja, para uma visita que incluiu o contacto directo com expositores, produtores e visitantes da feira.

Na visita ficou claro o contraste entre a propaganda do Governo e a realidade que aflige o sector agrícola. «Constatámos uma diferença muito grande entre aquilo que são os anúncios da propaganda e a vida de todos os dias», salientou o dirigente comunista em declarações à imprensa. «Estamos numa feira de agricultura, com pequenos e grandes produtores», continuou, «todos eles sofrem, uns mais outros menos, do mesmo problema: o aumento brutal dos custos de produção».

Medidas que Governo teima em não tomar

O Secretário-Geral deixou severas críticas aos grupos da grande distribuição e ao Governo que nada faz para refrear a escalada de preços. «Temos hoje um problema objectivo: o aumento brutal do custo de vida, sobretudo naquilo que mais dói, nos alimentos. Não são os agricultores que estão a ficar com essa diferença provocada pelo aumento dos preços», acusou. «Precisamos de garantir que aqueles que produzem não são esmagados pelos preços praticados pelas grandes cadeias», afirmou. Para isso, garantiu, é preciso avançar para a fixação de preços.

Questionado sobre o pacote de apoio anunciado pelo Governo para combater aumentos nos fertilizantes, Paulo Raimundo clarificou que o PCP está de acordo, mas que é preciso que este não se fique pela propaganda. Segundo o dirigente, é igualmente essencial que o Estado avance com a compra de fertilizantes para que os possa vender aos agricultores. Adquiridos numa escala superior, explicou, os fertilizantes podem ser comprados – e vendidos aos agricultores – a preços mais baixos.

PCP propõe aumento de 50 euros nas pensões e reformas

O PCP anunciou, no mesmo dia, que o seu Grupo Parlamentar apresentará uma proposta de aumento geral do valor das pensões de reforma em 50 euros, a partir de 1 de Julho. Uma proposta que abrange todos os pensionistas e que, ao contrário dos suplementos extraordinários que os governos têm decidido, se consolida no montante global de cada pensão e no cálculo da sua evolução futura.

Ainda na Ovibeja, Paulo Raimundo explicou que esta reivindicação do PCP é simples: «dar resposta, ainda que não toda a necessária, à situação de milhares e milhares de reformados que estão hoje a enfrentar uma situação muito difícil», sobretudo no que diz respeito ao custo da alimentação que «tem um peso muito acima da média» nos orçamentos familiares.

Esta proposta foi apresentada anteontem na Assembleia da República.

 



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