- Nº 2736 (2026/05/7)

Uns com o povo, outros com as elites

Opinião

Quebrando uma tradição, nem em 2025 nem este ano, a Câmara de Lisboa (de maioria PSD/CDS/IL e com o apoio do Chega),realizou o habitual concerto nas vésperas do 25 de Abril.

Mas, ao invés, foi pronta no apoio a um evento, no domingo passado, no Parque Eduardo VII – o chamado chic-nic – contribuindo com 75 mil euros para um concerto promovido pela empresa LOHAD, aberto ao público, onde os participantes neste «chiquérrimo» picnique (onde os bilhetes duplos normais custavam 150 euros e os bilhetes premium 300 euros), tiveram um lugar privilegiado.

Aludindo ao assunto, na reunião da Câmara de 29 de Abril,o vereador da CDU, João Ferreira, lembrouque a empresa promotora – a LOHAD do empresário Gonçalo Castelo-Branco – tem uma «ligação pública reconhecida» ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, nomeadamente o envolvimento nas respectivas campanhas eleitorais, o que, em si mesmo, é revelador «da falta de transparência e de lisura na gestão da coisa pública».

João Ferreira instou mesmo o Presidente da Câmara de Lisboa a que interviesse para que o evento não se realizasse.

Só que a falta de sensibilidade social do Presidente pesou mais e o evento concretizou-se, no local e dia previstos e o concerto foi mesmo para aquele público privilegiado, a quem, convenhamos, de facto, se destinava.

Entretanto, os problemas sociais em Lisboa continuam por resolver e vão-se agravando e as comemorações do 25 de Abril, na capital do País, essas sim populares, não puderam contar, mais uma vez este ano, com o apoio da CML para a realização do concerto de celebração da liberdade e da democracia, que, para a CML, valem menos do que aquele evento elitista.

Mas, ao participar tão massivamente nas comemorações populares do 25 de Abril e na jornada de luta do 1.º de Maio, em Lisboa e no País,os trabalhadores e o povo mostraram que é o caminho de Abril que querem afirmare não a continuação da política de direita que a actual maioria na Câmara de Lisboa, tal como o Governo PSD/CDS (com o apoio do Chega e IL e a cumplicidade do PS) não só prosseguem como querem aprofundar.

No entanto, por muito que os incomode, mais alto que os acordes do concerto, no Parque Eduardo VII, falaram as palavras de ordem na Av. da Liberdade, entre as quais,«Somos muitos, muitos mil, para continuar Abril» ou o anúncio pela CGTP-IN na Alameda D. Afonso Henriques da marcação da greve geral para 3 de Junho, para derrotar o pacote laboral.

Manuel Rodrigues