- Nº 2736 (2026/05/7)
«Ter um filho custou o emprego a duas mil pessoas em 2025», noticiou na semana passada o Expresso, com base nos números da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego. A grande maioria dos casos, 1777, são de contratos temporários não renovados a grávidas, mulheres a amamentar e trabalhadores em licenças de maternidade ou paternidade. É o valor mais alto desde 2020. Os restantes, 203 mulheres e 16 homens, são casos de despedimentos, maioritariamente integrados em despedimentos colectivos.
A desproporção entre mulheres e homens nestes números é esmagadora. Revela preconceitos e discriminações contra as mulheres, neste caso as que são mães. Mas revela sobretudo como a precariedade atinge particularmente as mulheres mais jovens, desprotege os trabalhadores, inviabiliza ter planos de vida, fragiliza as famílias.
Dias depois, foi dado a conhecer o facto de cair pelo segundo ano consecutivo o número de pais que partilham com as mães as licenças quando os bebés nascem. Em 2025, 47% dos pais ficaram pelo menos um mês com os seus bebés – são muitos mais do que há alguns anos, revelando uma vontade de envolvimento dos pais no crescimento dos filhos, mas inverte o crescimento que se estava a verificar. Por um lado, isto é o que se estava mesmo a ver que ia acontecer com as alterações às licenças feitas ainda pelo governo PS – só podem ter mais tempo de licença as famílias que dividirem a licença da forma pré-definida. Por outro lado, também é expressão da crescente hostilidade que existe nos locais de trabalho ao exercício dos direitos de paternidade.
Alguém se admira que neste quadro ter um filho seja um projecto adiado para tantos milhares de famílias? Alguém acredita que a solução para isto é um pacote laboral que eterniza a precariedade e a torna regra? Em vez de enfrentar estes problemas, o que o Governo, os patrões, o Chega e a IL fazem é tentar impor um pacote laboral que os agrava a todos. O pacote laboral não serve o País, nem os trabalhadores, muito menos as crianças. Também é isto que se vai combater na greve geral do próximo dia 3.