- Nº 2736 (2026/05/7)
Enquanto tenta lidar com o atoleiro político, estratégico, económico e militar no Médio Oriente, a Administração dos EUA persiste nas ameaças a Cuba. No dia 1 de Maio, na Flórida, o presidente dos EUA voltou a acenar com a possibilidade de uma agressão militar e ameaçou fazer deslocar o porta-aviões Abraham Lincoln para águas «a 100 metros da costa cubana». Intensificando a política de “pressão máxima” e alargando as cerca de 240 medidas que desde Janeiro de 2025 intensificaram ainda mais o bloqueio, Trump assinou uma ordem executiva que alarga sanções e determina que todas as entidades que negoceiem com Cuba em sectores como energia, biotecnologia, transporte marítimo, telecomunicações ou finanças ficam com os seus activos nos EUA congelados, perdem acesso ao sistema financeiro norte-americano e são impedidas de transaccionar em dólares e de operar no mercado dos EUA. Trata-se de uma guerra total, de carácter extraterritorial, desumana, criminosa e ilegal à luz do direito internacional, acompanhada da ameaça de agressão militar.
O impacto desta tentativa de asfixia económica não deve de modo algum ser menosprezado. As consequências na produção agrícola e industrial, no turismo, nos transportes, no fornecimento de energia, no abastecimento e nos serviços básicos são muito significativas. É por isso que atribuir ao governo revolucionário cubano, ou à própria Revolução, responsabilidades pelas privações que estão a ser impostas ao povo cubano, como se está a tentar vender numa campanha de desinformação na qual colaboram inclusive algumas “figuras” auto-intituladas de “esquerda”, é um acto de hipocrisia e de legitimação dos crimes dos EUA contra Cuba. A vida do povo cubano não está fácil, mas a responsabilidade é dos EUA, do imperialismo e de todos os que durante anos alimentaram campanhas contra Cuba e a sua soberania. E o povo cubano sabe disso.
Cuba está a resistir, com o seu povo. O 1.º de Maio em Cuba foi uma gigantesca demonstração de unidade nacional e de determinação. Só na cidade de Havana foram mais de meio milhão os que se concentraram num enorme grito colectivo contra a ingerência e a agressão, a que se somou a divulgação das mais de 6 milhões de assinaturas do abaixo assinado “Mi firma por la Pátria”. Simultaneamente, a solidariedade internacionalista manifesta-se de várias formas, seja na ajuda que está a chegar, na massiva presença solidária de grupos de todo o Mundo nas comemorações do 1.º de Maio em Havana (onde esteve também presente uma delegação da AAPC), ou ainda na expressão que a solidariedade com Cuba teve nas acções do 1.º de Maio em todo o Mundo.
Como afirmou o Presidente da República de Cuba no Encontro Internacional de Solidariedade com Cuba realizado no dia 2 de Maio, em Havana, com mais de 600 delegados representando dezenas de países e cerca de 150 organizações, «a solidariedade não se pode bloquear». O 1.º de Maio e o Encontro Internacional de Havana provaram isso mesmo. Mas provaram mais: ali há uma direcção e um povo conscientes e determinados em defender os seus direitos e o seu país. Cuba é um país de Paz, não ameaça ninguém. A sua resistência é por isso um acto de paz e de solidariedade para com os povos que enfrentam à fúria violenta do imperialismo. Os tempos são de luta dura e exigem clareza e compromisso na solidariedade com aquele valente povo! Da nossa parte, dizemos e diremos presente! Cuba não está só!