Guerras e ameaças exigem alargamento da luta pela paz

O movimento da paz e da solidariedade continua activo, à medida que se agrava a situação internacional. Uma sessão em Lisboa assinalou os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e da formalização do CPPC e há novas iniciativas marcadas pelo fim do genocídio e da ocupação da Palestina.

EUA e aliados procuram a todo o custo manter a hegemonia mundial

O ponto de partida da sessão “Dar força à paz e à solidariedade! Não à guerra!”, realizada no dia 29 de Abril na Casa do Alentejo, em Lisboa, foi a passagem de cinco décadas sobre duas datas importantes para a luta pela paz em Portugal, separadas por alguns dias: a 2 de Abril de 1976, a aprovação, promulgação e entrada em vigor da Constituição, que no seu artigo 7.º consagra os princípios que devem reger a política externa portuguesa; e, a 24, a formalização legal do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), que antes e depois fez desses princípios o seu programa de acção.

Foi à luz destes princípios e desta longa intervenção (iniciada ainda na década de 40 do século passado) que se abordou os conflitos e as ameaças que marcam o nosso tempo: a lançar o debate estiveram Isabel Camarinha, presidente da direcção do CPPC; Frederico de Carvalho, investigador científico; Pedro Pezarat Correia, Major-General; e Rui Pereira, professor universitário. Outras oito pessoas, presentes na sessão, colocaram questões e opiniões sobre os diversos assuntos, animando o debate.

Nas várias intervenções, da mesa como da assistência, estiveram em destaque temas como a guerra de EUA e Israel contra o Irão e suas consequências; o genocídio na Faixa de Gaza e o agravamento da ocupação e da violência na Cisjordânia; o incremento do bloqueio contra Cuba e as ameaças de agressão militar; o sequestro do presidente da Venezuela Nicolas Maduro; o risco existencial colocado pela corrida aos armamentos e pela dimensão e poderio dos arsenais nucleares.

Tudo isto, lembrou-se, num quadro mais geral marcado pela tentativa desesperada dos EUA e seus aliados de defenderem a sua hegemonia planetária, que marcou as últimas décadas e se encontra hoje seriamente ameaçada. Traçando-se o essencial panorama histórico, falou-se do alargamento da NATO até às fronteiras russas, a militarização do Extremo Oriente, as agressões à Jugoslávia, ao Afeganistão, ao Iraque…

Reafirmada foi a necessidade de prosseguir e ampliar a mobilização em defesa da paz, do desarmamento e da solidariedade com os povos, bem como se prosseguir a denúncia da subserviência dos sucessivos governos portugueses aos interesses dos EUA, da NATO e da UE, ao arrepio da Constituição.

Fim ao genocídio e à ocupação 
A propósito de mais um aniversário da Nakba, a Catástrofe palestiniana, o CPPC e outras organizações voltam a exigir o fim do genocídio e da ocupação, que continuam. Na quinta-feira, 14, às 18h00, há uma sessão pública na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Intervêm os professores universitários Luís Miguel Loureiro e Tiago André Lopes, e, em representação do MPPM e do CPPC, respectivamente, Álvaro Pinto e Manuela Branco. No dia seguinte, 15, à mesma hora, realiza-se um acto público na Praça Luís de Camões, em Lisboa, convocado por CPPC, CGTP-IN, MPPM e Projecto Ruído.

No dia 18 de Abril, o CPPC promoveu mais um Concerto pela Paz, desta feita no Teatro Municipal Constantino Nery, em Matosinhos, e a 17 de Maio é a vez do Auditório Municipal de Gondomar acolher novo concerto, com início marcado para as 16h00.



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