1965-66 – o “Método Jacarta” e a repressão anticomunista
Um milhão de mortos: é este o saldo aproximado da repressão em grande escala desencadeada pelo Exército da Indonésia, suportado (e estimulado) pelos EUA, contra o Partido Comunista Indonésio e, em geral, contra forças progressistas do país. O “Método Jacarta”, como ficou conhecido, foi replicado para outras latitudes, nomeadamente a América Latina, onde milhares de pessoas foram mortas ou “desapareceram” a pretexto do combate ao comunismo. Se quem “sujou as mãos” foram os esquadrões da morte e as forças militares e policiais dos diferentes países, por trás de todos estes crimes encontrava-se o imperialismo norte-americano, como revela o jornalista Vincent Bevin na obra “O Método Jacarta”, publicada em Portugal pela Temas & Debates.
Independente dos Países Baixos desde 1945, a Indonésia procurava seguir um caminho soberano. Em 1955 acolheu a Conferência de Bandung, que reuniu Estados recentemente libertados, que ali defenderam a luta contra o colonialismo e o direito dos povos à autodeterminação. O confronto crescente com o imperialismo norte-americano e o papel cada vez mais destacado do Partido Comunista Indonésio levou os EUA a conspirar com sectores militares e reaccionários, que desembocou no golpe que conduziria o país a uma ditadura militar e ao papel de satélite regional dos EUA.




