- Nº 2736 (2026/05/7)

A LUTA VALEU E VALE A PENA E VAI CONTINUAR

Editorial

Respondendo ao apelo da CGTP-IN, os trabalhadores saíram à rua por todo o País para fazer do 1.º de Maio uma grande jornada de luta por salários, direitos, defesa dos serviços públicos e contra o pacote laboral.

De facto, no momento em que o custo de vida sofre um aumento brutal, em que os salários e as pensões se mantêm baixos e, em contraponto, os lucros dos grupos económicos e multinacionais sobem escandalosamente(ainda na semana passada ficámos a saber que a GALP obteve, nos primeiros três meses deste ano, lucros recorde de 207 milhões de euros, mais 40 por cento face aos primeiros três meses de 2025); em que, em função da guerra e da especulação, o capital aprofunda a exploração e acumula e concentra a riqueza que os trabalhadores produzem, o Governo insiste em fazer aprovar o pacote laboral, num dos maiores ataques de sempre aos trabalhadores.

Foi neste contexto político e social que, no seguimento do grande 25 de Abril, decorreu a jornada de luta do 1.º de Maio, com a participação de muitos milhares de trabalhadores por todo o País, com particular expressão, nas manifestações no Porto e em Lisboa. Uma força imensa, disponível para continuar a luta nas empresas, sectores e locais de trabalho.

Foi no âmbito desta jornada que a CGTP-IN anunciou que a luta vai continuar, convocando os trabalhadores para uma greve geral marcada para 3 de Junho, sob o lema “derrotar o pacote laboral! Não ao retrocesso! Por mais salário, mais direitos, mais serviços públicos”, que, preparada a partir da acção reivindicativa nas empresas e locais de trabalho, volte a ser uma nova e grande demonstração de indignação, de protesto, da exigência e da força dos trabalhadores, para obrigar o Governo a retirar o pacote laboral.

Uma luta que vai prosseguir também contra a guerra e pela paz no Médio Oriente, na Europa e no mundo, de resistência à ofensiva agressiva do imperialismo e de solidariedade com os povos que são vítimas dessa ofensiva.

Em articulação com essa luta, o PCP intensificará a sua intervenção em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Neste sentido, o seu Grupo Parlamentar na AR apresentará uma proposta de aumento geral do valor das pensões de reforma, abrangendo todos os pensionistas, em 50 euros, a partir de 1 de Julho; no mesmo âmbito, o PCP denunciou a apresentação pelo Governo do chamado PTRR, sublinhando que, no essencial, se trata de um exercício de propaganda e de uma fraude política, reafirmando que o que se exige é mais acção e investimento e menos ilusão. A mobilização de recursos que o País precisa para responder às intempéries exige outras opções e políticas que este Governo não quer assumir. Exige a ruptura com uma política que coloca a submissão às regras do euro e a propaganda dos excedentes orçamentais à frente e em prejuízo do investimento público, da valorização dos serviços públicos, do estímulo à produção nacional e à defesa da capacidade produtiva e dos sectores estratégicos nacionais. Condenou também a venda do Novo Banco pela Lone Star aos franceses do BPCE, venda que representa o desfecho de um processo de assalto aos recursos nacionais para tapar os buracos da corrupção e gestão danosa do Novo Banco e de favorecimento de especuladores, de fundos de investimento e do grande capital nacional e estrangeiro.

O PCP reafirma a necessidade de uma outra política de crédito, orientada para o desenvolvimento do País e a melhoria das condições de vida da população, inseparável do reforço do papel da banca pública e da defesa da soberania nacional face a imposições da UE e do euro.

É sob esta acção de fundo que o PCP toma a iniciativa e intervém pela resolução dos problemas nacionais, pela derrota do pacote laboral, pelo aumento dos salários e das pensões, em defesa dos direitos e dos serviços públicos, pelo cumprimento da Constituição. É nessa acção que se insere o desfile “combater o custo de vida. Aumentar salários e pensões. Abaixo o pacote laboral”, que o PCP promove na próxima terça-feira, em Lisboa (18 horas).

É uma acção que coloca a exigência de ruptura com as opções políticas responsáveis pelos problemas e de concretização de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que promova a paz, o desenvolvimento e a soberania.

É igualmente neste quadro que avança a acção de reforço “Um PCP mais forte. Sim, é preciso! Sim, é possível!”, que importa dinamizar, para criar condições para uma melhor intervenção e se vai desenvolver a preparação da 50.ª edição da Festa do Avante!, a realizar nos 4, 5 e 6 de Setembro, com a promoção, desde já, da venda da EP.

A luta valeu e vale a pena e vai prosseguir: no desenvolvimento da acção reivindicativa e, a partir dela, na preparação da greve geral.

Como sublinhou o Secretário-Geral da CGTP-IN na jornada de luta do 1.º de Maio, importa olhar para o futuro, com esperança, com confiança na força dos trabalhadores. «Se com uma alavanca podemos mover o mundo, imaginem com os braços firmes de quem trabalha.»