- Nº 2732 (2026/04/9)

Greves por melhores salários na Nobre e na Otis

Trabalhadores

Em Rio Maior, durante a greve de dia 6, na Nobre Alimentação, foi reafirmada a determinação de lutar pela negociação das reivindicações apresentadas. Com o mesmo motivo, há hoje greve nacional na Otis.

A greve de 24 horas desta segunda-feira foi a 28.ª, desde 2023, na Nobre Alimentação, em resposta ao silêncio patronal face a reivindicações de aumentos salariais, valorização do subsídio de alimentação e do trabalho nocturno, criação de diuturnidades, 25 dias de férias, fim da precariedade.

A paralisação teve uma adesão estimada em cerca de 75 por cento, como referiu um dirigente sindical à agência Lusa, durante a concentração que teve lugar, de manhã, no exterior da fábrica. Diogo Lopes, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB), considerou o nível de participação superior ao da greve anterior, a 12 de Março.

Nessa ocasião, foi entregue à administração uma moção, mas esta, tal como o Caderno Reivindicativo, não teve nenhuma resposta patronal.

Para o sindicato da FESAHT/CGTP-IN, esta greve constituiu «mais uma poderosa demonstração de unidade, coragem e determinação». Ao saudar a luta dos trabalhadores, acusou a administração de manter um «silêncio que não é neutral», mas sim «uma opção consciente de desrespeito por quem todos os dias garante a produção, a qualidade e os lucros».

Mas, «perante o bloqueio, intensifica-se a luta», até porque, «numa empresa moderna, tecnologicamente avançada e certificada, não há nenhuma justificação para negar direitos básicos».

Caso as reivindicações continuem sem resposta, poderá ser convocada nova greve para 4 de Maio.

Hoje, os trabalhadores da Otis Portugal fazem greve por 24 horas, a nível nacional, pelo aumento dos salários e pela negociação do Caderno Reivindicativo, contra a «vergonhosa afronta» da administração. De manhã, realiza-se uma concentração, em Mem-Martins, junto da sede da empresa, filial da multinacional Otis, sediada nos EUA, que se afirma como líder mundial de fabrico, instalação, manutenção e reparação de elevadores e escadas rolantes.

A luta foi convocada, seguindo decisões aprovadas em plenários de trabalhadores, pela FIEQUIMETAL/CGTP-IN e os seus sindicatos com intervenção na Otis: SIESI, SITE Norte e SITE Centro-Norte.

São exigidas «negociações sérias» do Caderno Reivindicativo, no qual constam, como se refere numa nota de imprensa da federação, o aumento do salário-base, do valor das diuturnidades e do subsídio de refeição, bem como a «criação, à semelhança do que acontece noutros países da Europa, de um subsídio de função, no valor mensal de 50 euros, para os trabalhadores que, pela natureza das suas tarefas, exercem funções de electromecânico».

É considerada «uma afronta» a resposta da administração, uma mera actualização dos salários, em 2,5 por cento. É igualmente «vergonhosa», já que a Otis Portugal «obteve lucros de cerca de 22 milhões de euros», contribuindo para os resultados de «franco crescimento» da casa-mãe, que teve vendas líquidas de 15,3 mil milhões de dólares, no quarto trimestre de 2025.