- Nº 2730 (2026/03/26)

Melhores salários e direitos em empresas industriais

Trabalhadores

Organização, unidade e demonstração de apoio às reivindicações apresentadas pelos sindicatos da CGTP-IN, incluindo disponibilidade para lutar, foram determinantes para alcançar resultados positivos.

Na indústria cimenteira (grupos Cimpor e Secil), foram concluídas com acordo as negociações da revisão anual dos acordos de empresa. Como informou na semana passada a Federação dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM/CGTP-IN), ficou assegurado que, em 2026 há «a reposição da inflação verificada, a melhoria do poder de compra e uma parte da distribuição da produtividade».

Na tabela salarial, o valor dos aumentos varia entre 90 euros e 140 euros. Foi igualmente actualizado o montante das anuidades (diuturnidades), do subsídio de refeição, dos subsídios de turno e de transporte.

Na Secil foi criada uma nova anuidade (16.ª). A administração comunicou ainda que vai pagar este mês um «prémio» de mil euros.

Em ambos os grupos, ficou acordada a redução do horário de trabalho, durante o corrente ano, de 39 para 37,5 horas semanais.

A federação adiantou que estão na fase final as negociações do primeiro Acordo de Empresa, para cinco unidades do Grupo Cimpor, com vista à «harmonização no progresso» das condições laborais.

Os acordos têm efeitos a 1 de Janeiro e abrangem mais de um milhar de trabalhadores.

Na nota de imprensa que divulgou dia 16, a FEVICCOM assinalou que «estes resultados foram conquistados pela organização (aumento da sindicalização), participação, unidade e disposição de luta dos trabalhadores cimenteiros que, desde o início das negociações, reclamaram o direito a aumentos salariais justos e a uma parte da riqueza criada».

Num balanço, divulgado à comunicação social no dia 19, o SITE Sul (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul) revelou que, em 2026, apresentou 101 cadernos reivindicativos e seis propostas de acordos de empresa, com resultados positivos em 78 empresas, incluindo aumentos salariais entre 50 e 120 euros.

«Só foi possível alcançar estes resultados com a organização, determinação, firmeza e luta dos trabalhadores, em torno das suas justas reivindicações», realçou o sindicato da FIEQUIMETAL/CGTP-IN, que destacou alguns exemplos de acordos, com ganhos significativos para os trabalhadores: Parmalat, aumentos salariais entre 50 e 103 euros; SAS (complexo da VW Autoeuropa), após marcação de greve, aumento de 120 euros para todos; Continental Lemmerzs (também no complexo da VW), mais três por cento no salário-base (mínimo de 75 euros), subsídio de refeição para 10,46 euros, um «prémio» de 1123 euros e um «prémio de lançamento» de 250 euros; Gigabar (secção de slave tools, na VW), aumentos de 72 a 82 euros, após marcação de greve.

Na SMP (complexo da VW), houve um aumento de 100 euros no salário-base, entre outras melhorias, por efeito do acordo celebrado para 2025-2026.

O sindicato assinalou que a necessidade de lutar, para obter resultados, levou os trabalhadores da Amarsul, na Moita, e da Viroc, em Setúbal, a marcarem séries de greves de duas horas por turno.

Na OGMA Indústria Aeronáutica de Portugal, o salário de entrada ficará 202,50 euros acima do mínimo nacional, destacaram os sindicatos STEFFAs, SITAVA (ambos da CGTP-IN) e SITEMA, num comunicado de dia 18. Ao darem conta do acordo alcançado na véspera, para aumentos salariais, de 40 a 67 euros, com efeitos a 1 de Março, e de 20 euros, a 1 de Julho, os sindicatos recordam que «as partes partiram de posições bastante distantes». «Uma convergência» foi alcançada ao fim de seis reuniões, com «toda a força negocial que nos foi dada pelos trabalhadores nos diversos plenários».

 

Conquistas e lutas

No Grupo Inditex (ITX), após apresentação do Caderno Reivindicativo, foi acordado passar de 25 para 26 dias úteis de férias, aumentar de 80 para 100 euros o cartão-oferta de Natal e subir o subsídio de refeição para oito euros, informou o CESP/CGTP-IN. Os salários, conforme o acordo obtido em 2021, são actualizados, pelo menos, no valor do salário mínimo nacional (50 euros).

«É com a nossa luta colectiva que vamos conquistar ainda mais», afirma o sindicato, num comunicado que critica a intransigência patronal, relativamente a outras reivindicações não atendidas.

A administração da Cascais Ambiente recuou na tentativa de impor escalas de trabalho que contemplavam o domingo, como se não fosse dia de descanso semanal obrigatório, o que resultou «da intervenção do sindicato e da unidade e determinação dos trabalhadores».

O STAL/CGTP-IN revelou, no dia 28, que «passam novamente a ser cumpridos horários de trabalho de segunda a sábado, assumindo a administração desta empresa municipal o compromisso de pagar, como extraordinário, o trabalho aos domingos, com direito a um dia de folga».

Na véspera de uma greve dos técnicos auxiliares de saúde do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, marcada para 19 de Março, o presidente do conselho de administração assumiu o compromisso de resolver imediatamente os problemas que estiveram na origem da convocação da luta.

O STFPSSRA/CGTP-IN, ao anunciar a suspensão da greve, alertou que se vai manter vigilante e saudou «todos os trabalhadores, cujas luta e determinação permitiram este compromisso». A avaliação de desempenho, relativas a 2023-2024, dos cerca de 1300 trabalhadores que transitaram para a carreira de técnicos auxiliares de saúde está por homologar, o que «impede progressões na carreira, perpetua injustiças salariais e viola direitos legalmente consagrados», tinha o sindicato informado, no dia 18.