Conselho Europeu agrava problemas
As conclusões da última reunião do Conselho Europeu (CE) são «mais um exemplo» de políticas da União Europeia (UE) que «agravam os problemas dos trabalhadores e dos povos», considera o PCP.
Profunda contradição entre o discurso e a prática da UE
Em nota do Gabinete de Imprensa do deputado comunista no Parlamento Europeu, João Oliveira, o Partido aponta a «profunda contradição» entre o discurso e a prática da UE, acusando-a de alinhamento com os Estados Unidos da América (EUA) e de cumplicidade com a sua política externa. Por outro lado, critica a ausência de condenação da agressão militar dos EUA e de Israel ao Irão, considerando que tal postura evidencia uma lógica de «submissão» e «hipocrisia» nas posições da UE. A este respeito, acusa também o Governo português de ter «vergonhosamente» facultado a utilização da Base das Lajes por parte dos EUA.
Aumento do custo de vida
O PCP denuncia igualmente a falta de resposta ao aumento do custo de vida, sublinhando que a subida dos preços dos combustíveis e de bens essenciais não foi acompanhada de medidas concretas por parte do CE, nomeadamente no controlo e fixação de preços. Segundo os comunistas, as políticas de liberalização e privatização promovidas pela UE têm retirado aos Estados capacidade de intervenção em sectores estratégicos, como o energético, abrindo caminho à especulação e ao aumento dos lucros das grandes empresas. Como exemplo, referem-se «as medidas propostas relativas ao negócio das emissões e ao mercado do carbono, às redes e infra-estruturas energéticas ou à agenda da União da Energia para 2030, tudo no sentido do aprofundamento da liberalização do sector energético e do favorecimento das multinacionais que nele operam».
Aprofundamento do Mercado Único
No plano económico, o Partido critica o aprofundamento do Mercado Único, incluindo medidas como o chamado «28.º regime jurídico» e a «União das Poupanças e dos Investimentos», que, considera, favorecem os interesses das multinacionais em prejuízo dos trabalhadores, das pequenas e médias empresas e da soberania dos Estados.
Continuação da guerra
A nota, divulgada no dia 24 de Março, aponta ainda a insistência no rearmamento e na continuação da guerra na Ucrânia, acusando a UE de promover uma lógica de confronto e de canalizar recursos públicos para o complexo industrial-militar, em detrimento de políticas de paz.
Os riscos do acordo comercial entre a UE e a Austrália
A Coordenadora Europeia Via Campesina (ECVC), organização da qual a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) é membro, alertou, em comunicado de 24 de Março, para os riscos do acordo comercial entre a UE e a Austrália, considerando que pode pôr em causa a soberania alimentar na Europa.
A ECVC critica a inclusão de sectores agrícolas sensíveis, como o açúcar e as carnes de bovino e de borrego, num momento de forte pressão sobre os agricultores, e denuncia a falta de transparência nas negociações, acusando a CE de ignorar as recomendações do Diálogo Estratégico sobre o Futuro da Agricultura na UE.
Para a coordenadora, utilizar a agricultura como moeda de troca em acordos comerciais agrava as dificuldades do sector e compromete a segurança alimentar.




