CORAGEM, CLAREZA E INICIATIVA
«Um PCP mais forte. É preciso! É possível!»
A subida dos preços, nomeadamente dos combustíveis e dos bens alimentares, impulsionada pela guerra no Médio Oriente e pelo aproveitamento que dela é feito pelos grupos económicos para especular, num quadro em que os salários e as pensões se mantêm baixos, esmaga as famílias e as micro, pequenas e médias empresas, enquanto os lucros dos grupos económicos e das multinacionais atingem valores recorde.
Perante esta situação, em vez de combater o aumento do custo de vida, em vez de tomar medidas de apoio aos que são penalizados, o governo (juntamente com o Chega e a IL) não só pactua como arrastou o país para a guerra e assume opções políticas que agravam ainda mais a situação: insiste nas privatizações; deixa a escola pública à beira da ruptura; prepara o assalto à Segurança Social; desvaloriza a cultura; desmantela o SNS; promove a especulação e os despejos e torna mais difícil o acesso à habitação; insiste em fazer aprovar o pacote laboral, esse instrumento perverso que visa comprimir salários, desregular horários, generalizar a precariedade, despedir sem justa causa, atacar direitos dos trabalhadores.
Ora, o pacote laboral já foi rejeitado pelos trabalhadores, como ficou claro nas diversas lutas travadas, em particular, na greve geral de 11 de Dezembro. O que é preciso, agora, é obrigar o Governo a retirá-lo; é exigir o que se impõe sempre e, em particular, face às consequências da guerra, o aumento dos salários e das pensões; é defender e investir nos serviços públicos; garantir o direito à habitação, como foi exigido nas diversas lutas promovidas pela plataforma «Casa para Viver», no sábado passado em dezasseis cidades.
Foi esta exigência de aumento geral e significativo dos salários e pensões, contra o aumento do custo de vida, pela garantia de direitos, pela defesa e reforço dos serviços públicos, pela revogação das normas gravosas da legislação laboral e pela derrota do pacote laboral que levou a CGTP-IN a convocar uma manifestação nacional para 17 de Abril em Lisboa.
No passado dia 20, realizou-se a greve nacional dos enfermeiros (marcada pelo SEP), com elevada adesão e, depois de amanhã, terá lugar a manifestação da juventude trabalhadora.
Entretanto, na passada terça-feira foram os estudantes do ensino superior que se manifestaram em Lisboa e de 23 a 27 de Março estão a decorrer diversas lutas dos estudantes do ensino secundário.
A obsessão do PSD, CDS, Chega e IL e do grande capital, ao serviço de quem estão, pelo pacote laboral não é mais forte que a força organizada dos trabalhadores, a quem, como a vida tem mostrado, não falta coragem para prosseguir a luta para o derrotar.
Como também não falta coragem nem iniciativa à luta dos que se opõem à ofensiva do imperialismo contra o Irão, o Líbano, a Palestina, em todo o Médio Oriente, a par das manobras de ingerência e pressão sobre Cuba e a Venezuela, que continuam a resistir.
O PCP não aceita e apela aos trabalhadores, às populações, à juventude, aos reformados, aos micro, pequenos e médios empresários, aos pequenos e médios agricultores para que também não aceitem e se indignem perante mais esta tentativa de fazer pagar ao povo a factura do militarismo e da guerra.
Foi, por isso, de grande pertinência o conjunto de medidas que o PCP apresentou na AR, não permitindo que o debate se limite ao desvio de receitas fiscais para garantir os lucros dos grupos económicos. Indo mais longe, o PCP defende a regulação do preço dos combustíveis, da electricidade e do gás, dos alimentos, das prestações bancárias com os créditos à habitação, e a fixação do preço do gás de botija em 20 euros, medidas, aliás, semelhantes às já tomadas em diversos países.
Mas, para dar mais força a esta intervenção, é preciso reforçar o PCP. Porque é preciso quem, com coragem, clareza e iniciativa, faça frente ao rolo compressor da política de direita que o Governo PSD/CDS prossegue (com o apoio do Chega e da IL, mas também com a viabilização do PS). É preciso quem denuncie o imperialismo e o poder, o papel e o domínio dos grupos económicos e das multinacionais. Um PCP mais forte porque é precisa a coragem que o PCP tem para fazer frente às forças e concepções reaccionárias e retrógradas que cada vez mais se articulam com os objectivos da política de direita, em curso. Um PCP mais forte para romper com a política de direita, afirmar e construir a alternativa patriótica e de esquerda ao serviço do País. A alternativa que afirme a soberania e o direito inalienável do povo português a decidir sobre as opções e orientações capazes de garantir o desenvolvimento do País, valorize o trabalho e os trabalhadores, eleve as condições de vida das classes e camadas antimonopolistas e promova a justiça e o progresso social.
Uma política assente nos valores de Abril e na Constituição – que assinala o 50.º aniversário no próximo dia 2 de Abril – e cuja concretização exige a intensificação da luta de massas e o reforço das suas organizações, a convergência com democratas e patriotas e o reforço do PCP, inseparável do seu ideal e projecto.




