- Nº 2729 (2026/03/19)

Ameaças na Lusa motivam luta e solidariedade

Trabalhadores

Com greve de quatro horas e concentrações, em Lisboa e no Porto, no dia 12, os trabalhadores da agência Lusa e as suas organizações representativas mostraram-se unidos e firmes contra ataques do Governo.

No pré-aviso de greve, o Sindicato dos Jornalistas, o SITE CSRA e o Sitese recordaram que os trabalhadores, em plenários realizados a 26 de Fevereiro, à frente das instalações da Lusa, em Lisboa e no Porto, repudiaram «a forma como o Governo impôs o processo de reestruturação da empresa e o novo modelo de governação, pouco transparente e sem ter em conta a opinião de quem todos os dias garante o funcionamento da agência».

O Governo, com os estatutos que impôs, por mero acto societário, e as demais medidas que anunciou a 13 de Janeiro, introduz «riscos de influência política e de governamentalização», que «contrariam a protecção de independência que a Constituição portuguesa confere aos jornalistas e princípios consagrados pelo Regulamento Europeu de Liberdade dos Meios de Comunicação Social».

Um plano de rescisões «foi admitido, sem se conhecer qualquer estratégia de reforço de quadros», e «foi admitida pela administração uma mudança da sede para o edifício da RTP, cuja consequência será a diminuição da independência funcional da agência».

Além disso, administração e Governo «adiam a negociação do caderno reivindicativo, incluindo actualizações salariais».

A luta de 12 de Março foi decidida nesses plenários. Na sua concretização envolveram-se os sindicatos, a comissão de trabalhadores e o conselho de redacção.

As concentrações, ao final da manhã da passada quinta-feira, realizaram-se em frente à sede do Governo, em Lisboa, e no exterior da delegação da Lusa, no Porto.

Em Lisboa, nas palavras de ordem entoadas e nas mensagens inscritas em faixas, cartazes e t-shirts negras, repetiu-se «Autonomia, sim! Fusão, não!», «Direcção de Informação não deve ir à comissão (no Parlamento)», «Destruir a Lusa é atacar a democracia», «Garantir a independência da agência», «Lusa isenta e livre».

Nas intervenções de dirigentes e delegados sindicais foram expostos com mais detalhe os perigos contidos nas medidas do Governo e da administração.

Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP, esteve no local, acompanhado pelo deputado Alfredo Maia. O PCP declarou que acompanha e saúda esta luta, em defesa da autonomia e independência da agência, pela exigência da negociação das condições de trabalho, contra a fusão com a RTP.

Num breve depoimento, o deputado comunista afirmou a exigência de que o Governo recue neste ataque inaceitável contra a Lusa e a sua autonomia, com profundo desrespeito pelos trabalhadores e as suas organizações.

Tiago Oliveira, numa breve intervenção, saudou a luta, destacando que a reestruturação e a alteração dos estatutos «foram feitas ao arrepio do direito de consulta dos sindicatos». Isto representa, observou, «mais um exemplo da selectividade da escolha» do Governo, ao decidir com quem discute. O Secretário-Geral da CGTP-IN abordou, em concreto, o processo de discussão do pacote laboral, rejeitando a exclusão da confederação pelo Governo.

No Porto, esteve com os trabalhadores da Lusa uma delegação do PCP, em solidariedade e a realçar a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos profissionais a agência, para que esta possa cumprir efectivamente o serviço público que lhe compete.

Esteve ali igualmente uma delegação da União dos Sindicatos do Porto.

Foram recebidas diversas outras manifestações de solidariedade e apoio à luta, entre as quais, da CIL (Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa) e do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT/CGTP-IN).