URAP repudia afastamento de Rita Rato do Museu do Aljube

A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) repudiou a decisão de não reconduzir Rita Rato no cargo de directora do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, classificando-a como «injusta, incompreensível e injustificável».

URAP apela à reversão da decisão

Em comunicado, a organização afirma que a decisão da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) surpreende por não terem sido apresentadas razões que a fundamentem. A URAP considera que o afastamento ocorre sem explicações públicas e sem qualquer justificação conhecida que sustente a medida. Recorda ainda que o desempenho de Rita Rato tem sido valorizado em diferentes momentos, incluindo no próprio Conselho Consultivo do museu, onde representantes da autarquia e da EGEAC reconheceram o trabalho desenvolvido. A URAP assinala também que a reunião anual daquele órgão, prevista para Dezembro último, acabou por não ser convocada.

A organização antifascista destaca o trabalho desenvolvido desde 2020, sublinhando o crescimento da actividade do museu, o aumento do número de visitantes e a forte ligação a escolas, professores e milhares de alunos. Refere igualmente o conjunto de exposições, debates, sessões culturais, projecções de filmes, apresentações de livros e iniciativas educativas promovidas ao longo destes anos, que contribuíram para afirmar o espaço como um dos pólos culturais mais dinâmicos da cidade.

No comunicado, a URAP alerta ainda para a importância do Museu do Aljube na preservação da memória da resistência antifascista e da luta pela liberdade, salientando o seu papel na divulgação da história do fascismo em Portugal e do processo libertador do 25 de Abril. A organização sublinha que o espaço nasceu da mobilização de democratas e antifascistas e defende que deve continuar fiel às razões históricas que estiveram na base da sua criação.

Lembra também o trabalho desenvolvido por anteriores responsáveis do museu, em particular pelo primeiro director, o historiador Luís Farinha, e reafirma a importância do projecto para a cidade de Lisboa e para a formação cívica das gerações mais jovens.

A URAP apela à reversão da decisão e expressa solidariedade para com Rita Rato, considerando que o afastamento não atinge a sua dignidade nem o trabalho realizado.

Petição
Entretanto, mais de 2200 pessoas já subscreveram uma petição [criada a 13 de Março] que pede a recondução de Rita Rato no cargo. Os signatários defendem que o trabalho realizado no museu, com centenas de iniciativas, milhares de estudantes recebidos e a criação de um arquivo digital com mais de 14 mil documentos, justifica a continuidade do mandato.

Esclarecimentos
Também o vereador do PCP na Câmara de Lisboa, João Ferreira, pediu esclarecimentos ao presidente da autarquia, Carlos Moedas, sobre a não recondução de direcções em vários equipamentos culturais municipais. Além do Museu do Aljube, o eleito refere o afastamento de Francisco Frazão da direcção artística do Teatro do Bairro Alto e indicações de que Ana Paula Rebelo Correia poderá não continuar à frente do Museu da Marioneta, questionando os critérios adoptados pela EGEAC para estas decisões.

 



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