- Nº 2729 (2026/03/19)
O centro de Tóquio foi palco, dia 11, de uma manifestação de protesto contra a política militarista do governo liderado por Sanae Takaichi. Concentrados junto ao parlamento, os manifestantes empunhavam cartazes com inscrições como “Não à guerra” e “Parem de desrespeitar a Constituição”, aludindo ao princípio consagrado no artigo 9.º, que reafirma o compromisso do país com a paz e o desarmamento.
O artigo 9.º da Constituição japonesa estipula que «aspirando sinceramente a uma paz internacional baseada na justiça e na ordem, o povo japonês renuncia para sempre à guerra como direito soberano da nação e à ameaça ou ao uso da força como meio de resolver disputas internacionais» e que, para atingir este objectivo, «forças terrestres, marítimas e aéreas, bem como outros potenciais de guerra, nunca serão mantidos. O direito de beligerância do Estado não será reconhecido».
A manifestação ocorreu precisamente no momento em que o governo japonês, considerado o mais à direita das últimas décadas, flexibilizou ainda mais as restrições às exportações de armamento e acelerou os planos para a instalação de mísseis de longo alcance em todo o país. A primeira-ministra já manifestou a intenção de proceder a uma revisão constitucional e, dessa forma, eliminar as restrições a um novo processo de militarização acentuada do Japão.
O Partido Comunista Japonês (PCJ), presente no protesto, denunciou a intenção do governo de alinhar com a política hegemónica dos EUA, ao mesmo tempo que avança com medidas que visam a expansão militar do país, o que contraria o objectivo de manter a paz e a estabilidade regional.
Lembrando o artigo 9.º, o PCJ salienta que se este princípio fosse cumprido o Japão deveria promover uma diplomacia orientada para a resolução negociada dos diferendos e não, como é o caso, baseada na preparação para a guerra.
Em Fevereiro, a NATO e o Japão anunciaram o reforço da sua parceria, orientada para a confrontação com a China. O Japão é o país do mundo com mais militares norte-americanos em permanência fora do seu território, seguido da Alemanha e da República da Coreia. São actualmente 60 mil, distribuídos por várias bases e instalações militares.