- Nº 2728 (2026/03/12)«Já Não Dá! Voltamos à rua por Casa para Viver!». É este o mote da manifestação convocada pela plataforma Casa para Viver para o próximo dia 21 de Março de 2026, com concentrações marcadas em várias cidades do País.
As principais manifestações realizam-se no Marquês de Pombal, em Lisboa, e na Praça da Batalha, no Porto, ambas às 15 horas, mas a mobilização estende-se também a Coimbra (Ponte de Santa Clara, junto ao Mosteiro, 15h00), Leiria (Fonte Luminosa, 17h00), Barreiro (Terminal Fluvial, 10h30), Covilhã (Praça do Município/Pelourinho, 11h00) e Viseu (Rossio, 15h), com iniciativas próprias ao longo do dia. Para além destas iniciativas, já confirmadas, deverão ser marcadas outras nos próximos dias – na próxima semana publicaremos a lista definitiva.
Num comunicado, os organizadores afirmam que «já não dá para continuar a assistir à brutalidade que vivemos», acusando o Governo de anunciar “medidas milagrosas” que, na prática, «só premeiam quem lucra com a crise». Segundo a plataforma, desde o primeiro pacote de medidas para a habitação, os preços das casas terão subido 27%, ultrapassando em Lisboa os cinco mil euros por metro quadrado.
A crítica estende-se ao conceito de renda “moderada”, que apontam como desfasado da realidade salarial do País. «Dizem-nos, sem vergonha, que 2300 euros é uma renda “moderada”», denunciam, referindo benefícios fiscais aos senhorios que podem atingir 4140 euros anuais em IRS, suportados pelo Orçamento do Estado. «Na prática, normaliza-se o absurdo e puxam-se os preços para cima, premiando senhorios, promotores e fundos imobiliários», acusam.
A plataforma contesta igualmente o fim dos limites aos aumentos das rendas e a eliminação do agravamento fiscal ao alojamento local, medidas que, consideram, abrem ainda mais espaço à especulação imobiliária.
Quanto à habitação pública, as promessas governamentais são classificadas como «miragens». O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) é descrito como incapaz de dar resposta às necessidades, sem recursos humanos nem fogos suficientes, enquanto Governo e autarquias «empurram responsabilidades uns para os outros».
Quadro social preocupante
Os promotores da manifestação traçam um quadro social preocupante: mais de metade dos trabalhadores a ganhar menos de mil euros, famílias despejadas, casas sobrelotadas, pessoas a regressar a barracas ou a viver em tendas, ao mesmo tempo que os bancos registam lucros elevados com o crédito à habitação.
Para a plataforma, a solução passa por travar a escalada das rendas, fazer cumprir a função social da habitação, combater a existência de casas vazias ou destinadas ao turismo, regular o mercado e aumentar significativamente o parque público de qualidade.
Activistas ironizam sobre políticas de habitação
Os activistas da Casa Para Viver realizaram uma acção de protesto, na sessão de abertura da 13.ª Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa, na Mitra, contestando o que consideram ser uma política que está a transformar a capital «numa cidade só para ricos». A iniciativa, marcada pelo tom satírico, incluiu a criação fictícia da «Fundação Lisboa Feliz» (FLF), alegadamente sediada no Dubai. O vídeo da acção foi divulgado nas redes sociais do movimento.