- Nº 2727 (2026/03/5)O embaixador israelita em Portugal foi recebido, no dia 24, pelo presidente do executivo municipal gaiense. Condenando veementemente o encontro, a Comissão Concelhia de Vila Nova de Gaia do PCP afirmou que o concelho não pode contribuir para o branqueamento do genocídio e dos crimes de Israel.
O encontro entre Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara Municipal (CM) de Vila Nova de Gaia, eleito pela coligação PSD, CDS-PP e IL, e Oren Rozenblat, embaixador de Israel em Portugal, realizou-se sobre o pretexto de «diálogo com o mundo», sem «distinções ideológicas, nem sectarismos de qualquer espécie». Foi assim que o próprio presidente do executivo gaiense justificou a reunião, afirmando terem sido debatidos «temas importantes, como o de investimento de muitos empreendedores israelitas em Gaia, a condenável situação do crescimento do anti-semitismo na Europa e a situação no Médio Oriente». «Aqui todos são ouvidos e respeitados», salientou ainda numa publicação nas suas redes sociais.
O encontro e as declarações que se lhe seguiram constituem, para a Comissão Concelhia gaiense do PCP, uma opção e postura de «profunda conivência e branqueamento» de um estado que, «aos olhos do mundo e do Direito Internacional, está a levar a cabo um massacre deliberado e um genocídio contra o povo palestiniano».
«A tentativa do presidente da CM de justificar esta aproximação com o “investimento de empreendedores israelitas” em Gaia é um insulto à tradição democrática e solidária do nosso concelho e uma opção profundamente ideológica que menoriza os crimes do Estado de Israel em nome de um suposto diálogo que não coloca a paz e o fim do genocídio como prioridades», lê-se num comunicado emitido pelo organismo comunista no próprio dia do encontro. «Os interesses económicos e o lucro não podem estar acima da defesa dos direitos humanos», lê-se também.
Historial de compromisso com a paz
A Comissão Concelhia de Vila Nova de Gaia do PCP recordou igualmente o historial de compromisso do concelho com a paz, destacando a sua adesão à rede internacional Mayors for Peace (Presidentes de CM pela Paz) em 2025, a sua recepção do Encontro pela Paz em 2023, organizado pelo CPPC, assim como a promoção de vários Concertos pela Paz ao longo dos anos.
«A recepção ao representante de um Estado agressor é uma traição a este percurso e a todos os que em Gaia lutam pela paz em todo o mundo», aponta ainda o organismo de direcção comunista, afirmando que Vila Nova de Gaia «não pode ser um porto seguro para os grupos económicos que beneficiam de um regime de ocupação e agressão».