Springsteen em boa companhia contra o “exército particular de Trump”
A repressão do ICE em Minneapolis fez dois mortos: Renee Good e Alex Pretti
Giano Infantino, presidente da FIFA, medalhou o ditador norte-americano com um prémio da Paz com efeito enviesado e ridículo, enchendo a capoeira do taxador-mor com mais uma ave poedeira. Porém, a sede da Federação Internacional de Futebol fica em Zurique e todos entendem a jogada política-oportunista do Sr. Infantino, no ano em que o Mundial de Futebol se disputa no Canadá, no México e… nos Estados Unidos. Mas, pelo menos por enquanto, dentro do país “comandado” por Trump “y sus muchachos” (por exemplo, J. D. Vance, Marco Rubio, Michael Waltz ou Robert F. Kennedy Jr.) o campeonato é outro.
Com o ego em alta por prémios recebidos directamente, o da FIFA, ou em segunda mão, como foi o Nobel da paz que Maria Corina Machado, traidora do seu país e do povo venezuelano fez questão de ofertar ao ditador das taxas e auto-proclamado “dono do mundo”, Trump embalou, meteu a quinta e desatou a convencer “subtilmente” os imigrantes a regressar às origens, assinalando “áreas problemáticas”, continuando assim a defender a sua “paz” no “seu” país.
Escaramuças para aqui, reais ameaças para ali e lá foi uma representação do ICE (US Imigration and Customs Enforcement – Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, mais conhecido por Polícia de Imigração) mostrar-se em Minneapolis, no Minnesota. Da pior maneira: primeiro aterrorizando quem protestava contra a perseguição aos imigrantes, com o racismo e a xenofobia a atingirem níveis de alerta vermelho, depois matando. Duas vítimas mortais, Renee Good, poeta e activista, de 37 anos, mãe de três filhos, e Alex Pretti, enfermeiro, também com 37 anos, que se manifestava contra o ICE. Foi então que as coisas se complicaram, com Trump a culpar os democratas pelo “caos” que conduziu às mortes que o ICE levou a cabo, numa acusação mentirosa e facilmente desmontada por inúmeras testemunhas, de perto e longe. O exemplo de mais perto é Bruce Springsteen. De mais longe o de Billy Bragg.
A cantiga a ser (de novo) uma arma
No dia 31 de Janeiro Bruce Springsteen estreou, no concerto “Defend Minnesota”, na First Avenue, em Minneapolis, a canção “Streets of Minneapolis”. Conta, cantando, que «o exército particular do rei Trump veio a Minneapolis para impor a lei, ou é o que dizem», e foram mortos Renee Good e Alex Pretti. «Nós lembraremos os nomes daqueles que morreram nas ruas de Minneapolis», assassinados pelo “exército do DHS” (Departamento de Segurança interna dos EUA).
Springsteen parte em “tournée” pelos Estados Unidos no dia 31 de Março e fará 20 concertos, o último dos quais em Washington, a 27 de Maio. Nas suas próprias palavras, «serão concertos contra os tempos sombrios criados pela administração desonesta» de Donald Trump. Título da “tournée”: “Land of Hope and Dreams” (terra de esperança e de sonhos).
“City of Heroes”
«A sua resistência é uma inspiração para todos nós», afirmou o cantor de protesto e activista Billy Bragg, nascido em Inglaterra em Dezembro de 1957, referindo-se à tomada de posição dos homens e mulheres de Minneapolis contra a brutalidade e injustiça do tratamento dado aos imigrantes. Também Billy Bragg compôs uma canção, intitulada “City of Heroes”, quase ao mesmo tempo que Bruce Springsteen escrevia “Streets os Minneapolis” e com o mesmo tema – «denúncia do fascismo e da violência» – culminando nas mortes de Alex Pretti e Renee Good. Nas suas próprias palavras, trata-se de uma cantiga «contra o fascismo e a violência» que «defende os direitos de todos para evitar que a perseguição chegue a cada um de nós».
Stephen Billy Bragg inspira-se no poema atribuído a Brecht e que, segundo alguns, tem como base uma prédica do pastor protestante Martin Niemöller: «vieram buscar os negros, mas não me importei porque não sou negro» ou «vieram buscar os comunistas, mas não liguei porque não sou comunista» até que «vieram buscar-me a mim e já não havia ninguém a quem recorrer». Começando assim, a canção quer marcar o contraste entre a inacção de alguns face ao nazismo e a coragem dos habitantes de Minneapolis ao enfrentarem os seus agressores, o «exército particular do rei Trump», como escreveu Bruce Springsteen.
Outros abordarão o que se passou nos últimos dias, tendo em conta as atitudes criminosas dos EUA acompanhados pelos seus amigos israelitas, sob protestos vários de muitos países entre os quais o nome de Portugal não aparece. Aqui, porém, e para que conste, fala-se da postura dos que se erguem contra os “manda-chuvas” dos Estados Unidos protestando contra a cegueira que os faz tratar assim os seus cidadãos, os seus trabalhadores, os que querem trabalhar aí, nesse país de imigrantes desde a sua origem. Com a ajuda de duas canções com muitos quilómetros de mar a separá-las e muita vontade de justiça a uni-las.




