RESISTIR E TOMAR A INICIATIVA

«Projecto. Luta. Confiança»

O PCP faz amanhã 105 anos. 105 anos de luta na resistência e no derrube do fascismo, nas conquistas da Revolução de Abril, em defesa dos direitos e liberdades, da soberania nacional e da Paz. Luta que, como Partido necessário, indispensável e insubstituível, hoje prossegue com o seu

projecto e inabalável confiança.PCP cujo Comité Central reuniu para analisar a evolução da situação internacional, os desenvolvimentos da situação nacional e as tarefas que se colocam à intervenção, iniciativa e organização do Partido, e aprovou a Resolução “Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”, sobre o reforço do Partido.

O Governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da IL e a viabilização do PS, tem em curso o seu programa de retrocesso e de favorecimento dos grupos económicos (que, em 5 anos, aumentaram os seus lucros em 270%), perante a vida difícil de quem trabalha, dos reformados e da juventude, com um brutal aumento do custo de vida, desde logo nos alimentos, que aumentaram 30% em 3 anos. Perante um patronato obcecado em aumentar ainda mais a precariedade e a desregulação de horários, afrontar direitos, salários e acção sindical, tentar impor despedimentos sem justa causa, o Governo ao seu serviço quer, à força, fazer aprovar um pacote laboral que já foi rejeitado pelos trabalhadores, que ainda no sábado passado, em Lisboa e no Porto, deram mais uma enormíssima resposta na manifestação nacional convocada pela CGTP-IN.

Face a um País há muito confrontado com défices estruturais, graves problemas nas infra-estruturas críticas e de soberania, com o poder político às ordens do poder económico; um País, como ficou evidente nas recentes tempestades, onde a rede eléctrica, de comunicações e auto-estradas, estão nas mãos de grupos económicos; onde a manutenção das infra-estruturas é realizada por prestadores de serviços; onde faltam serviços e estruturas do Estado, destruídas ou depauperadas – o Governo lança o Programa Portugal Transformação e Resiliência (PTRR), uma grande operação de propaganda e uma tentativa de relançamento da sua imagem, mais um instrumento ao serviço do desastroso caminho em curso.

Entretanto, com o voto contra de PSD, CDS e IL e as abstenções de PS e Chega, o plano integrado de resposta aos impactos das tempestades que o PCP apresentou na AR - um plano para todo o território afectado, de garantia dos salários a 100% e salvaguarda dos direitos dos trabalhadores, de apoio a rendimentos a pequenas e médias empresas, agricultores e pescadores, de condições e meios para a reconstrução de habitações, equipamentos e infra-estruturas e reposição da capacidade produtiva – foi chumbado.

Mas o PCP não vai permitir que esta questão caia no esquecimento e levará por diante a iniciativa“Intempéries 2026 – Responder, resolver e prevenir”, em ligação com as populações.

A situação do País exige respostas e opções corajosas que respondam às necessidades da maioria; salvem o SNS e fixem os profissionais em falta; garantam casas para viver com uma política pública de Habitação; retire de vez o pacote laboral do patronato e aumente de forma significativa os salários, reformas e pensões; defenda a Escola Pública e a Segurança Social, combata a injustiça social e promova uma mais justa distribuição da riqueza; afirme a soberania e cumpra a Constituição. Para dar expressão a estas exigências, o PCP dará continuidade à acção nacional “Outro rumo para o País. Rejeitar o Pacote Laboral, a exploração e as injustiças”, que afirme a alternativa e contribua para a mobilização e desenvolvimento da luta de massas.

É este o caminho que se impõe, um caminho que se afirma nas lutas em diferentes frentes, camadas e sectores, desde logo da juventude, uma luta que aí está e para a qual o PCP apela à participação.

Uma luta que se expresse de forma significativa nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, na manifestação nacional de mulheres convocada pelo MDM, no próximo domingo, dia 8, com expressão em 19 localidades, bem como na Semana da Igualdade promovida pela CIMH/CGTP-IN entre 2 e 8 de Abril, nas lutas da juventude, nas comemorações populares do 25 de Abril e na grande jornada do 1.º de Maio.

Uma luta em defesa da Paz que se torna ainda mais necessária perante a escalada de agressão dos EUA ao Irão, um acto de guerra que conta lamentavelmente com a cumplicidade de um Governo submisso, em confronto com a Constituição, que escancarou mais uma vez as portas da Base das Lajes a aviões militares dos EUA em trânsito para a guerra que parece apostado em arrastar Portugal para a agressão a um estado soberano.

A ligeireza e a irresponsabilidade com que se normaliza a guerra, a morte e a violência, com todos os perigos que comportam, exige a mobilização dos trabalhadores, do povo e em particular da juventude, contra a loucura do militarismo e da guerra, desde logo nas manifestações convocadas por diversas organizações para 14 de Março, em Lisboa e no Porto, pela “Paz, soberania e solidariedade. Fim às ameaças e às agressões dos EUA”.

E é neste quadro que a luta dos trabalhadores e do povo e a intervenção e reforço do PCP se irão intensificar, afirmando os valores de Abril, defendendo direitos e exigindo um outro rumo político para o País.