Salários e preços alimentam lucros dos supermercados

O CESP está a realizar, desde dia 20, acções de denúncia em estabelecimentos da grande distribuição. Em causa estão os baixos salários, contrastantes com o aumento dos preços e dos lucros das empresas.

«Exigimos uma fatia maior dos resultados»

O preço da carne sobe 39 por cento; do açúcar e do mel, 36; do pão, cereais e produtos hortícolas, 30. Lá perto andam as subidas no peixe e nas frutas. Ou, como resume o sindicato da CGTP-IN no folheto que distribuinas acções: «Nos últimos quatro anos, a conta do supermercado subiu, em média, 31 por cento. E o teu salário, também subiu isto tudo?».

A subida galopante dos preços é uma das principais razões apontadas para o crescente aumento dos lucros no sector. Continente, Pingo Doce, Auchan, entre outros, acumulam já subidas na ordem das centenas de milhões.

Face a esta situação, o sindicato exige que os aumentos dos lucros sejam acompanhados de um aumento dos salários no sector, lembrando que sem os trabalhadores, as empresas não lucram: «Exigimos uma fatia maior dos resultados do nosso esforço».

As iniciativas de denúncia estão a ter lugar em super e hipermercados um pouco por todo o País. Estavam programadas, para o período entre os dias 20 e 24, acções em lojas dos grupos Auchan, Lidl, Mercadona, Continente e Pingo Doce em localidades como Figueira da Foz, Viana do Castelo, Caldas da Rainha, Torres Novas, Odivelas, Mem Martins, Nogueira, Celeiros, Granjinhos, Coimbra, Alverca, Condeixa, Aveiro, Vale das Flores, Santo Amaro de Oeiras, Paço de Arcos e Ponte da Barca.

Integrados nestas acções, o sindicato tinha prevista a realização de plenários de trabalhadores nos estabelecimentos do Lidl em Areosa e Feijó,do Auchan em Almada e Vila do Conde, do Mercadona em Matosinhos, do Pingo Doce em Ciprestes e do Continente na Maia.

Mais de 300 quilómetros
O CESP denunciou um «despedimento encapotado» no Aldi. A situação, explicou numa nota divulgada no dia 20, prende-se com a decisão de transferir definitivamente um trabalhador da loja de Picoas, Lisboa, para um estabelecimento no Porto, «onde não tem qualquer rede de apoio».

«Com esta transferência para mais de 300 quilómetros de distância, o Aldi tenta forçar o trabalhador a despedir-se, abdicando dos seus direitos», frisou o sindicato, que lembrouo facto de o funcionário também estudar numa faculdade da capital.

O CESP informou que já solicitou uma reunião com a empresa, não tendo obtido resposta.

 



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