- Nº 2724 (2026/02/12)A Comissão Para a Defesa da Linha do Oeste (CPDLO) considera inaceitável o anúncio do Governo de encerramento da Linha do Oeste por um período mínimo de nove meses, alertando para o risco de perda definitiva de utentes e para o abandono de um eixo ferroviário fundamental ao desenvolvimento da região.
A Comissão Para a Defesa da Linha do Oeste (CPDLO) reagiu com forte crítica ao anúncio público do Ministro das Infra-estruturas e Habitação de que a Linha do Oeste ficará encerrada, no mínimo, durante nove meses, devido à necessidade de obras de recuperação da infra-estrutura na sequência das recentes intempéries que atingiram o Litoral Oeste do País.
Em nota enviada à comunicação social, a CPDLO sublinha que o anúncio foi feito sem esclarecimentos concretos sobre a extensão do encerramento, não sendo claro se afectará todo o traçado entre Meleças e Louriçal ou apenas o troço entre Meleças e Caldas da Rainha. Para a Comissão, esta indefinição constitui «um sério ataque ao futuro da Linha do Oeste», uma vez que a suspensão prolongada do serviço poderá levar à perda definitiva de utentes para o transporte rodoviário.
A CPDLO recorda que os últimos dois meses ficaram marcados por «dezenas e dezenas de supressões» de comboios, motivadas pela falta de material circulante, causando graves prejuízos aos utentes, muitos dos quais ficaram sem qualquer transporte alternativo em autocarro, em incumprimento do contrato de serviço público a que a CP está obrigada.
A situação agravou-se agora com o colapso dos solos em vários pontos da via, nomeadamente no troço entre Dois Portos e Malveira, incluindo zonas que não foram alvo de requalificação recente, como entre Runa e a entrada do túnel da Sapataria. A Comissão lembra ainda que há obras que deveriam estar concluídas há mais de três anos, permitindo já a circulação de composições eléctricas.
Incompreensível
Para a CPDLO, é incompreensível que o transporte ferroviário de passageiros seja suspenso durante nove meses quando existem alternativas viáveis, como a manutenção do serviço entre Caldas da Rainha e Torres Vedras e entre Malveira e Meleças, com ligação intermédia por autocarro e uma revisão temporária de horários.
«O que este Governo e os seus gestores na CP e na IP pretendem é que os utentes e a população em geral se esqueçam de uma vez por todas da Linha do Oeste», acusa a Comissão, garantindo que não desistirá da luta pela modernização da linha e pela defesa dos direitos dos utentes, reafirmando a importância estratégica deste eixo ferroviário para o desenvolvimento económico e social da região.
Nesse sentido, já reiterou o pedido de reunião urgente com a secretária de Estado da Mobilidade e com o presidente da CP, prevendo ainda solicitar um encontro com o presidente da Infra-estruturas de Portugal.