- Nº 2723 (2026/02/5)

Plataforma denuncia falta de resposta no Centro de Saúde de Odivelas

Nacional

A Plataforma Lisboa em Defesa do SNS esteve na segunda-feira, 2, em frente ao Centro de Saúde de Odivelas, numa acção de denúncia das dificuldades no acesso aos cuidados de saúde primários, sob o lema «Mais SNS significa melhor Saúde. Os doentes não podem continuar à espera!».


O protesto teve início às 7h30, altura em que já se encontravam mais de duas centenas de utentes em fila, alguns desde as 4h30, à espera de obter uma senha para marcação de consulta, enfrentando chuva e baixas temperaturas. Segundo a Plataforma, esta realidade repete-se mensalmente e traduz uma situação que considera «indigna» e atentatória dos direitos dos cidadãos.

«É inadmissível que a ministra da Saúde saiba desta situação e nada faça para a resolver», acusa a Plataforma, adiantando que a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Odivelas conta com mais de 22 mil utentes sem médico de família atribuído, sendo esta unidade um exemplo das desigualdades no acesso aos cuidados de saúde primários na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Em comunicado divulgado, responsabilizam-se as políticas governamentais pelo agravamento da situação, denunciando o subfinanciamento do SNS, a falta de profissionais, a degradação das condições de trabalho e o aumento das assimetrias regionais. A Plataforma assegura ainda que o desinvestimento no serviço público abre caminho ao crescimento do sector privado e compromete a qualidade e a segurança dos cuidados prestados.

Reivindicando um novo rumo na política de saúde, a Plataforma exige um reforço efectivo do SNS, com valorização das carreiras e salários dos profissionais, investimento nos cuidados de saúde primários, gestão pública das unidades e garantia do direito constitucional à protecção da saúde.

 

SNS na região de Lisboa e Vale do Tejo em números

A Plataforma Lisboa em Defesa do SNS alerta para um agravamento generalizado da resposta do Serviço Nacional de Saúde na região de Lisboa e Vale do Tejo, apontando vários indicadores preocupantes:

# O Orçamento do Estado para 2026 prevê um corte superior a 885 milhões de euros nas Unidades Locais de Saúde;

# Cerca de 1,1 milhões de pessoas estão sem médico de família na região;

# Escassez grave de enfermeiros, com efectivos reduzidos a quase metade do necessário;

# Encerramento ou intenção de encerramento de serviços especializados, como neurocirurgia no Hospital de São José, medicina no Hospital dos Capuchos e neonatologia no Hospital Dona Estefânia;

# 343 camas hospitalares inoperacionais devido à falta de enfermeiros;

# Tempos de espera nas urgências que chegaram às 17 horas na Área Metropolitana de Lisboa;

# Incumprimento dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos, incluindo nas cirurgias oncológicas;

# Redução de 15% na resposta da Rede de Cuidados Continuados na região.