- Nº 2723 (2026/02/5)
Vastas regiões do País foram atingidas pelos efeitos catastróficos da tempestade Kristin, que deixou um rasto de destruição com graves prejuízos para as populações, para numerosas pequenas e médias empresas, explorações agrícolas e infra-estruturas fundamentais, nas regiões atingidas.
Face a esta situação dramática, e no momento em que as graves condições climáticas ainda se mantêm, o PCP tomou posição. Foi o que fez o Secretário-Geral do Partido ao manifestar a solidariedade às populações e exigir respostas urgentes aos seus problemas. «Mais um desastre, mais uma evidência de como o Estado precisa de ter nas suas mãos as alavancas e os instrumentos para poder intervir com rapidez», como referiu no comício do sábado passado em Almada.
Foi esse também o sentido da declaração do PCP de domingo passado, que, manifestando a sua solidariedade aos familiares dos que perderam a vida e bens com esta tragédia e exigindo uma resposta da parte do Governo às populações, acompanhando no terreno a evolução dos acontecimentos e tomando a iniciativa para uma resposta tão urgente quanto necessária, se referiu às medidas anunciadas pelo Governo, nesse mesmo dia, considerando-as «incompreensivelmente tardias e claramente insuficientes».
Acrescentava ainda que «o anúncio de 2500 milhões de euros para acudir ao grau de destruição da tempestade e do mau tempo que ainda perdura são profundamente insuficientes face aos impactos que estão à vista de todos.»
O PCP denuncia a acção tardia e insuficiente do Governo por não ter criado atempadamente «uma estrutura de acompanhamento e intervenção que agregasse o conjunto de áreas» acautelando que a actuação desta estrutura assegure o apoio às autarquias no âmbito das suas competências.»
Valorizando a resposta solidária dada pelo País, o PCP denunciava ainda o número insuficiente de operacionais mobilizados para o terreno e exigia a disponibilização de meios militares e privados, para responder às populações, bem como o reforço dos apoios para acudir aos prejuízos e garantir o pagamento, na íntegra, dos salários do mês de Janeiro, nas situações em que estes não foram ainda processados.
Reclamava ainda que se garantisse o apoio às empresas atingidas para a reposição do potencial produtivo e o rendimentos aos pequenos e médios agricultores e empresários através de apoios a fundo perdido que o Governo continua a não clarificar. Bem como se exige a clarificação dos apoios solicitados e dos apoios efectivamente disponibilizados pela UE, devendo o Governo exigir que se accione o conjunto dos mecanismos de solidariedade existentes, como o PCP já colocou no Parlamento Europeu.
Enquanto se desenvolve a intervenção do PCP e a reclamação das populações exigindo respostas para os seus problemas, importa ter presente a importante batalha política das eleições para Presidente da República, com a segunda volta marcada para o próximo domingo.
O PCP insiste que é necessário derrotar a candidatura de André Ventura. E, para isso, só há uma via: votar na candidatura de António José Seguro, sem que tal voto signifique apoiar este candidato nem o seu posicionamento político, que, aliás, fala por si.
Mas a candidatura de André Ventura tem critérios e concepções reaccionárias, retrógradas e antidemocráticas, de confronto com a Constituição da República Portuguesa.
Com André Ventura na Presidência da República, tudo o que está mal ficaria ainda pior. A mudança que André Ventura quer é um regresso ao passado, de pobreza, exploração, negação de direitos e violência sobre os trabalhadores, as mulheres, os jovens, os democratas e patriotas.
Domingo, é preciso ir votar. Tal como noutros momentos, o desfecho destas eleições não está assegurado. O envolvimento e participação dos comunistas e dos seus aliados, tal como de muitos democratas e patriotas, é e será determinante para barrar o caminho a André Ventura. E isso exige uma intervenção que promova o contacto e o esclarecimento sobre o que está em causa nestas eleições.
É preciso derrotar a candidatura de André Ventura e, ao mesmo tempo, intervir pela mudança de que o País precisa. Pela ruptura com a política de direita responsável pelo agravamento de todos os problemas estruturais do País.
É precisa uma política alternativa, patriótica e de esquerda. É preciso intensificar a luta dos trabalhadores e do povo, defender os direitos, obrigar o Governo a retirar o Pacote Laboral, reivindicar melhores salários e melhores pensões, defender os serviços públicos e o direito à habitação. É preciso, desde já, mobilizar para a manifestação nacional convocada pela CGTP-IN para Lisboa e Porto, a 28 de Fevereiro.
Perante o desenvolvimento da situação nacional e internacional, é preciso defender a soberania, o progresso social e a paz. É preciso reforçar a solidariedade com Cuba, a Palestina, e a Venezuela Bolivariana e com todos os povos ameaçados ou agredidos pelo imperialismo.
É com a convicção de que é possível um futuro de progresso, soberania, paz e solidariedade que os trabalhadores e o povo prosseguirão a luta e, articulada com ela, o PCP desenvolverá a sua intervenção.