LUTAR PELA MUDANÇA DE QUE O PAÍS PRECISA
«dar mais força à mobilização e à luta»
O quadro social e económico em que intervimos continua marcado pelo agravamento dos problemas dos trabalhadores e do povo: aumento do custo de vida, baixos salários e pensões, dificuldades no acesso à habitação, desmantelamento do SNS e agravamento da situação na Escola Pública.
Ao mesmo tempo, o Governo mantém o seu compromisso com os interesses dos grupos económicos, evidente na persistência em avançar com o pacote laboral e com o projecto de desmantelamento e privatização da CP à custa de investimento público e do direito das populações à mobilidade.
No plano político, este quadro é ainda marcado pelos resultados da primeira volta das eleições para Presidente da República. Resultados indissociáveis da continuada promoção de forças reaccionárias e da sua acção demagógica, que esteve presente em sucessivos actos eleitorais.
De facto, os resultados obtidos revelam que não só, e mais uma vez, se manterão na Presidência da República os compromissos com a política de direita, como se criaram condições para sedimentar as concepções reaccionárias que se expressam, de forma particular, na candidatura de André Ventura. Resultados que são consequência de um forte condicionamento, que se traduziu na manipulação (bem visível na operação das sondagens), silenciamento e na difusão do preconceito, visando criar um clima de medo, pressão e chantagem.
Neste quadro, com a passagem à segunda volta das candidaturas de António José Seguro e de André Ventura, e mesmo sendo certo que, nesta circunstância, os compromissos com a política de direita não serão afastados do exercício das funções presidenciais, é preciso intervir para assegurar a derrota de André Ventura e dos objectivos e ambições das forças mais reaccionárias e retrógradas no nosso País.
Na segunda volta, é preciso derrotar a candidatura de André Ventura e os projectos reaccionários, que, para lá do comprometimento com a política de direita e de partilha com muitas das opções do actual Governo, assume uma agenda ditada por critérios e concepções reaccionárias, retrógradas e antidemocráticas, de confronto com a Constituição da República.
E, para impedir que André Ventura seja eleito Presidente da República, é necessário derrotar a sua candidatura e o único voto possível para a derrotar é o voto em António José Seguro.
Votar contra André Ventura não significa apoiar António José Seguro nem o seu posicionamento político, que, aliás, fala por si. A derrota de André Ventura e da extrema-direita nas eleições de 8 de Fevereiro, objectivo que o PCP assume sem hesitações, não garante, por si só, a mudança de que o País precisa.
Por isso, se é urgente derrotar a candidatura de André Ventura, mais urgente é dar ainda mais força à mobilização e à luta contra a exploração e as injustiças, desde logo contra o pacote laboral, contra a acção deste Governo e contra a política de direita.
A mudança de que o País precisa, a ruptura com a política de direita e a construção de uma alternativa patriótica e de esquerda reclamam que se intensifique e alargue ainda mais a luta dos trabalhadores e do povo.
A Greve Geral do passado dia 11 de Dezembro mostrou a força imensa que os trabalhadores transportam consigo. Uma força que, como em tantos outros momentos da nossa história, mostrou que é possível abrir um caminho de progresso social, direitos e melhores condições de vida.
Força que voltará a expressar-se na Acção de Mobilização Geral, a partir de 9 de Fevereiro, e na Manifestação Nacional, a 28 de Fevereiro, em Lisboa e no Porto, convocadas pela CGTP-IN.
Perante os desenvolvimentos da situação nacional e internacional, o Partido desenvolverá, nas próximas semanas, uma ampla acção de contacto com os trabalhadores, as populações e a juventude, sob o lema «Outro rumo para o País. Rejeitar o Pacote Laboral, a exploração e as injustiças».
Uma acção em torno das condições de vida, dos problemas concretos que afectam a maioria dos que vivem e trabalham no País, dando expressão concreta à opção clara do PCP relativamente à segunda volta das eleições e afirmando a ruptura e a mudança que se mostram imprescindíveis.
Ruptura e mudança que exija melhores salários, pensões e reformas, que obrigue o governo a retirar o pacote laboral, que afirme o SNS e crie condições para garantir o acesso à saúde a todos os portugueses, que defenda a Escola Pública, que trave os ataques em curso à Segurança Social, que concretize o direito à habitação; que trave as privatizações e enfrente o custo de vida.
Ruptura e mudança que exige a defesa da paz e o combate determinado à guerra e à corrida aos armamentos. Ruptura e mudança de rumo que exige a intensificação da luta de massas, a convergência dos democratas e patriotas e o reforço do PCP.
Tal como ficou patente na poderosa manifestação de unidade e força que foi a Greve Geral de 11 de Dezembro, os trabalhadores, as populações e a juventude têm no PCP o porto seguro e a força de combate ao medo e à resignação, o caminho da afirmação dos valores de Abril e da sua projecção na política alternativa que urge concretizar.




