CONSTRUIR UM ANO MELHOR

«a luta dos trabalhadores e do povo e a intervenção do PCP são factores fundamentais»

Na sua mensagem de Ano Novo o Secretário-Geral do PCP sublinhou que «a força de quem trabalhou uma vida inteira, a força do povo e a força da juventude e, acima de tudo, a força de quem produz a riqueza, colocada ao seu serviço e ao serviço dos seus direitos, é uma força imensa, tal como demonstrou a greve geral. Juntos, rejeitaram o pacote laboral e afirmaram o caminho que se impõe: salários, direitos, dignidade, respeito. Que essa força imensa tome nas suas mãos os seus direitos e imponha de uma vez por todas a política ao seu serviço, tal como está inscrito na Constituição da República Portuguesa».

Uma mensagem que, alicerçada na realidade, em tudo contrasta com a do primeiro-ministro, que, mentindo aos portugueses, mais uma vez, quis fazer passar a ideia de um País em franco desenvolvimento: «Portugal é hoje uma referência a nível europeu e mundial. Os rendimentos dos portugueses estão a subir e a nossa economia a crescer consistentemente acima da média europeia», afirmou.

Ao contrário do que afirmou o primeiro-ministro na sua mensagem de Natal, o ano de 2025 foi, para Portugal e para a imensa maioria dos portugueses, um ano marcado pelos baixos salários e as baixas pensões, pelo aumento do custo de vida, pelo alastramento das injustiças e desigualdades, pelo drama do acesso à saúde e à habitação, pelo ataque aos serviços públicos e o desmantelamento do SNS, por novas privatizações, pela preparação do assalto à Segurança Social e, acima de tudo, pela ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, corporizada nesse instrumento perverso – o pacote laboral – concebido para agravar a exploração e as injustiças.

Mas 2025 foi sobretudo um ano de intensa luta, de que a greve geral de 11 de Dezembro foi a mais alta expressão de uma dinâmica acção do PCP, no estímulo à luta e acção de massas, nas batalhas eleitorais, na acção institucional em defesa dos trabalhadores e das populações e, sobretudo, na luta pela ruptura com a política de direita e por uma política alternativa, patriótica e de esquerda que, inspirada nos valores de Abril, coloque Portugal numa rota de desenvolvimento.

Uma política alternativa que é parte integrante de uma democracia avançada, que é, simultaneamente, política, social, económica e cultural, tendo a independência e a soberania nacional como referências essenciais e que viria a ser consagrada naquela que foi uma das mais significativas conquistas da revolução de Abril: a Constituição da República Portuguesa, aprovada e promulgada em 2 de Abril de 1976.

Com efeito, a luta organizada dos trabalhadores, com a CGTP-IN como força motriz no plano social, tem constituído o grande obstáculo à ofensiva predadora da política de direita: opondo-se-lhe e dando-lhe combate através de múltiplas e diversificadas acções, muitas delas de dimensão histórica – como foi o caso da greve geral – e muitas vezes alcançando significativas vitórias; superando ameaças, chantagens, represálias; enfrentando a ofensiva ideológica do grande capital, que prega o conformismo, a resignação, a aceitação passiva das inevitabilidades; demonstrando que vale a pena lutar; contribuindo para a criação das condições necessárias para derrotar essa política e para a substituir por uma política alternativa, patriótica e de esquerda, inspirada nos valores de Abril.

Que a luta tem que continuar, mais forte e mais participada, vemo-lo todos os dias na acção do Governo, que se prepara para executar o Orçamento do Estado para 2026 que assume uma clara opção pelo favorecimento dos interesses do grande capital, ao promover a desvalorização e desmantelamento dos serviços públicos, e o aproveitamento de cada problema para criar novas oportunidades de negócio aos grupos económicos.

Um OE bem à medida da hipocrisia, do cinismo e da falta de respeito pelos direitos dos portugueses, patentes na mensagem de Natal do primeiro-ministro.

É de luta, portanto, o ano que aí vem com manifestação já marcada pela CGTP-IN para 13 de Janeiro em Lisboa, contra o pacote laboral, que se insere na luta por um outro caminho, por uma outra política ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País

Um Ano Novo com novas exigências, desde logo, pela afirmação da candidatura de António Filipe a Presidente da República. António Filipe, o candidato com que contamos, como sublinhou na sua mensagem Paulo Raimundo, na luta que travamos, com toda a confiança e com toda a esperança, por aquilo a que temos direito: trabalho: direitos, desenvolvimento, soberania, vida justa, progresso e paz.

É possível e é imprescindível construir um ano novo melhor. Na sua luta, os trabalhadores e o povo podem contar, como sempre contaram, com a intervenção, determinada e confiante, do PCP.