Ministro da Educação mostra elitismo com declarações inaceitáveis
A bancada comunista requereu a audição, com carácter de urgência, do ministro da Educação, na sequência das declarações por ele proferidas, no dia 16, sobre estudantes bolseiros e a degradação dos serviços públicos.
Na ocasião, cabe citar, o ministro disse que o Governo prioriza a colocação nas residências universitárias dos «estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos e por isso também, já agora, é que elas depois se degradam, é por isso que elas depois não são cuidadas. […] Quando nós metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público, nós sabemos que esse serviço público se deteriora, é assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas, nós sabemos que é assim».
Para o PCP, estas declarações, além de inaceitáveis – por colocarem os filhos dos trabalhadores «como responsáveis da degradação dos serviços públicos, desresponsabilizando o Governo do desinvestimento em serviços como o SNS – são exemplo do «caminho de elitização» levado a cabo por este Executivo no ensino superior.
Também um conjunto de associações de estudantes manifestou, no dia 17, a sua indignação com estas declarações, considerando, em comunicado, serem «uma lamentável demonstração de desdém aos estudantes», que merecem o repúdio veemente do movimento associativo estudantil. «Queremos menos desculpas bacocas e desconexas da realidade e mais residências públicas», asseveraram.
Ao coro de críticas somou-se a JCP, para quem o Governo pretende «pintar de solidário e benéfico mais um ataque aos estudantes» sob a forma do “novo” sistema de acção social, e o MUSP, para quem as declarações do ministro são claramente elitistas e ofensivas, profundamente reveladoras «de uma lógica classista que criminaliza a pobreza», legitimadoras do preconceito e normalizadoras da exclusão.




