- Nº 2716 (2025/12/18)

Coragem e unidade em Castelo Branco

Em Foco

No Interior também se sentiu a greve geral e o distrito de Castelo Branco é disso exemplo: na Saúde, Educação, Segurança Social, Justiça e transportes, as elevadas adesões levaram ao condicionamento, e até ao encerramento, de vários serviços.

Mas também ali a greve teve forte expressão no sector privado: a adesão de 90 por cento nas Minas da Panasqueira parou a produção e na APTIV, do sector automóvel, atingiu os 75 por cento. No sector das telecomunicações foi também assinalável: nos centros de contacto do distrito a adesão média foi de 80 por cento, sendo que na Intelcia atingiu os 90 por cento.

Já no sector dos Lanifícios, outrora dominante na região, a participação dos trabalhadores foi de 80 por cento – numa das principais fábricas, a Paulo de Oliveira, atingiu-se os 70 por cento de participação na jornada de luta.

Mas há números que, mesmo expressivos, não revelam toda a realidade. É o caso da adesão de 80 por cento dos trabalhadores da Haco Etiquetas à greve geral. Nesta empresa, situada na Covilhã, 22 trabalhadores aguardam ainda o desfecho de um processo judicial motivado precisamente pela sua participação numa greve em 2022: ao contrário do que a lei prevê, a empresa contabilizou a falta por motivo de greve como “falta injustificada”. O Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Interior, da CGTP-IN, saudou aqueles trabalhadores pela coragem de, «mais uma vez, em unidade, defenderem os seus direitos e demonstrarem (…) que não cedem à pressão nem à chantagem».

Sérgio Santos, coordenador da União dos Sindicatos de Castelo Branco, interveio nas duas concentrações realizadas no distrito, em Castelo Branco e na Covilhã.