- Nº 2716 (2025/12/18)

Combate à precariedade no comércio

Em Foco

Ao contrário da propaganda repetida pelos defensores do pacote laboral, o sector do comércio realizou uma grande greve geral. Num sector marcado pela impunidade generalizada dos patrões e pelas constantes ameaças aos direitos, os trabalhadores encerraram inúmeros estabelecimentos como a BP da Avenida da República (Gaia), a Cortefiel do Centro Comercial Vasco da Gama (Lisboa), a Benetton de Viana do Castelo e muitos outros. Como afirmou Inês Branco, coordenadora da Delegação do CESP no Porto, na manifestação do Porto, esta greve foi construída num contexto de «muita coação» e com «muitas ilegalidades» cometidas pelo patronato. «Os patrões diziam que nenhum supermercado ia fechar», algo que foi negado pela força dos trabalhadores.

Os ataques à greve começaram cedo, com os exemplos dos armazéns da Sonae, na Azambuja, e da Zara do Rossio a serem paradigmáticos. Na Azambuja, à hora da entrada do primeiro turno, um dirigente do CESP relatou, em conversa com o Avante!, estes ataques. Após um plenário em que mais de 100 trabalhadores aprovaram a participação na greve, a gerência começou a procurar recolher por escrito quem tinha intenção de fazer greve, marcando ainda, em muitos casos, reuniões individuais. Na Zara, onde a adesão esteve perto dos 90%, Filipa Costa, presidente do CESP, afirmou à comunicação social que os patrões criaram «um ambiente intimidatório». «Com 22 chefias a trabalhar», ainda procuraram recorrer a uma empresa de trabalho temporário para combater a greve, algo que apenas não foi possível graças a acção e denúncia sindicais.