- Nº 2716 (2025/12/18)A greve geral foi caracterizada, no distrito de Braga, por uma expressiva adesão nos mais diversos sectores, reflexo da unidade dos trabalhadores da região e da sua coragem e determinação.
Em todo o distrito, foi notória a participação dos trabalhadores na luta, levando a que diversas empresas e serviços encerrassem portas no dia 11, ou funcionassem a “meio gás” – luta que desaguou, ainda na manhã dessa data, com uma muito participada manifestação que, tendo início no Arco da Porta Nova, percorreu as ruas da cidade de Braga até à Praça da República.
De todos os sectores, destaca-se a adesão na indústria transformadora, com o Complexo Grundig a alcançar uma participação de 95 por cento na greve em alguns turnos (e nunca abaixo dos 90 por cento). A forte adesão também ressoou noutros cantos: na Leica, na Amtrol-Alfa e no complexo da Continental Mabor, onde se encontra, entre outras empresas, a Schnelleacke, com 85 por cento de adesão.
A luta também foi expressiva no sector das cutelarias e do têxtil, com forte adesão na Herdemar, Tearfil e Somelos, sendo de destacar a Lameirinho, onde as trabalhadoras em greve se concentraram desde as 6h00 à porta da empresa, registando, na secção de corte, uma adesão de 99 por cento.
Apesar desta massiva dimensão, que nos é avançada pela organização do Partido na região, os camaradas alertam que os números poderão pecar… por defeito!
A luta nos serviços
No sector dos transportes, a adesão foi massiva, destacando-se a Central Rodoviária de Braga, da qual não saiu, durante todo o dia, qualquer autocarro, com adesão de 100 por cento, e a Estação de Comboios de Braga, totalmente parada (salvo serviços mínimos).
Nos serviços de saúde, sublinha-se a adesão significativa e generalizada em todo o distrito, nomeadamente o Hospital de Braga (90 por cento). Nas escolas e cantinas escolares também se registou uma forte expressão da luta, que levou ao condicionamento e encerramento de vários serviços, mormente a Creche de Braga,
Também nas autarquias locais a luta adquiriu expressão elevada, com grandes adesões nos estaleiros da Câmara de Guimarães e das empresas de recolha de resíduos, limpeza urbana, água e saneamento de concelhos como Braga e Vizela. São igualmente de destacar a adesão de 75 por cento dos trabalhadores do distrito e o registo de encerramento de três balcões da Caixa Geral de Depósitos (Vila Verde, Universidade do Minho e Lamaçães).
Em frente, apesar da repressão
Os camaradas da região dão, ainda, nota da existência dos mais variados relatos de assédio por parte do patronato contra os trabalhadores em luta no sector do comércio. Apesar disso, referem, a atitude repressiva dos “donos disto tudo” não impediu o encerramento do Lidl de Gamil, em Barcelos, ou o forte condicionamento de lojas como a Primark do Braga Parque (onde não se registou a entrada de nenhum funcionário no turno das 10h00).