- Nº 2715 (2025/12/10)

Juventude portuense afirma o seu papel na construção do futuro

Eleições

O passado sábado, dia 6, foi passado no distrito do Porto. A manhã deste dia foi marcada por uma sessão pública, na Junta de Freguesia de Pedrouços, na Maia. Sob o mote: «Cumprir a Constituição, construir o futuro», discutiram-se os anseios com que os jovens se confrontam.

Estamos «certos de que temos o direito de construir o nosso próprio futuro», assim sumarizou Joana Machado, na abertura, o ímpeto que levou à construção desta sessão. Ao longo desta, ouviram-se testemunhos de jovens que comprovam a distância entre a sua experiência e a realidade preconizada pelo artigo número setenta da Constituição. Neste artigo, afirma-se que os jovens «gozam de protecção especial para efectivação dos seus direitos económicos, sociais e culturais», nomeadamente no ensino, no trabalho, no acesso à habitação, no desporto e no aproveitamento dos tempos livres. Apesar deste correcto desígnio, «é precisamente nestes direitos que a juventude tem sido mais atingida», afirmou Joana Machado.

Luta pelo futuro
As primeiras intervenções focaram-se nas experiências dos estudantes do ensino secundário. Rodrigo Santos, da Escola Secundária da Maia, trouxe para a sessão os problemas da sua escola, «onde faltam muitas coisas básicas», relacionando-os com o artigo número setenta e três da Constituição, onde se estabelece o acesso à cultura e à educação. Referiu ainda as dificuldades no acesso ao desporto, condição essencial para o desenvolvimento de uma cultura física saudável. João Baldaia, estudante e membro da associação de estudantes da Escola Secundária de Marco de Canaveses, focou-se nas limitações e entraves impostos pelas direcções ao associativismo no ensino secundário. De direcções que «tentam limitar programas eleitorais» aos «estudantes com faltas disciplinares que são impedidos de se candidatar», todas estas posturas convergem para «afastar os jovens do movimento democrático» e contribuir para uma conformação geral. «Quando nos juntamos e discutimos os problemas, surge sempre a mesma revolta, a revolta contra as injustiças». É na irreverência e audácia que reside o papel da juventude na construção de um mundo novo, «um mundo onde o interesse colectivo falará mais alto que o individualismo».

Sobre o ensino superior, Joana Couto, estudante e membro da associação de estudantes da FBAUP, denunciou as barreiras e entraves no acesso e frequência ao mais elevados graus de ensino, relacionando-os ainda, no caso concreto das belas artes, com o «desinteresse pelo meio artístico». Aproveitou para lembrar as lutas desenvolvidas que, se no plano nacional já impediram o aumento da propina, também no plano concreto da sua faculdade, forçaram o avanço das obras nas oficinas.

Os problemas dos jovens trabalhadores foram abordados por Francisco Aguiar e Joana Machado. O primeiro, falou da «série de contratos a termo», «a ansiedade do período experimental» e a «frustração de enviar dezenas de currículos sem receber qualquer resposta». A precariedade, no entanto, «não é acidental», é sim fruto de «opções políticas concretas». Já Joana Machado falou da sua experiência enquanto investigadora, focando-se na precariedade dos vínculos e na importância de valorizar quem produz ciência.

O músico Rui Paiva falou das questões da criação artística e do acesso à cultura. «A identidade dos povos é inseparável da sua capacidade de desenvolvimento e fruição culturais», sem as ferramentas para a criação e fruição, «estamos dependentes daqueles que, controlando-as, controlam as narrativas e apagam as lutas do povo».

Futuro não pode ser feito de passado
«Os jovens têm todas as razões para se revoltarem», crê António Filipe, que afirma ainda que o futuro «não pode ser a precariedade», «nem o aumento das propinas», mas sim a consagração e alargamento de «todos os direitos que têm sido postos em causa». Seja no secundário, onde«querem formatar jovens aconformarem-sede que há quem quer, pode e manda», seja no superior, onde se quer ensinar os jovens a «ver a precariedade como uma inevitabilidade», tem de partir da juventude a garra e a força para construir um caminho alternativo.

 

Salas cheia em Gaia e Valongo

Para além da sessão na Maia e da conversa realizada nos Maus Hábitos, assinala-se ainda a realização de dois outros importantes momentos nesta campanha. O almoço, em Valongo, na Associação Recreativa e Cultural da Azenha e o jantar, em Vila Nova de Gaia, na Escola Secundária Gaia Nascente, reuniram, entre eles, centenas de apoiantes que se juntaram para o convívio e para ouvir António Filipe.